Ciberdúvidas pode encerrar em Setembro se não obtiver apoios
O Cíberdúvidas da língua portuguesa, consultório linguístico na Internet com um arquivo de 16 mil questões, poderá encerrar até Setembro, caso não obtenha apoios financeiros, alertou hoje o responsável pelo site.
De acordo com José Mário Costa, responsável pelo consultório em conjunto com a Sociedade de Língua Portuguesa, o Ciberdúvidas está em "grandes dificuldades", já com atrasos de pagamentos aos colaboradores, correndo o risco de encerrar.
Ao fim de oito anos e meio de existência, o "site" acumulou um arquivo de 16 mil respostas a dúvidas sobre ortografia, sintaxe e pronúncia da língua portuguesa, respondidas por uma rede de especialistas da área.
Fundado por José Mário Costa em conjunto com João Carreira Bom, o Ciberdúvidas é visitado diariamente por 3.000 a 5.000 pessoas, e responde a uma média de 500 novas questões todas as semanas, feitas na sua maioria por estudantes e professores, mas também por jornalistas, advogados e médicos.
Depois da morte inesperada de João Carreira Bom em 2002, o "site" chegou a estar encerrado durante um ano por falta de financiamento, pois o jornalista foi sempre o mecenas do projecto.
O Ciberdúvidas "é um serviço de interesse público, gratuito, sem fins lucrativos, que responde a dúvidas e promove o debate e a divulgação do português", sublinhou José Mário Costa em declarações à Lusa.
Recordou que o "site" chegou a ter apoios do Ministério da Cultura e do Programa Operacional para a Sociedade de Informação (POSI), que entretanto acabaram.
José Mário Costa afirma-se "em desespero", pois já tentou obter apoio mecenático de empresas públicas e privadas, que "não mostraram interesse" em financiar a sobrevivência do "site" "porque não lhes dá muita visibilidade".
Contudo, nos contactos oficiais que tem mantido, obteve a garantia da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, que será destacado um professor para coordenar o consultório de perguntas do "site".
Também está a tentar diligenciar contactos com o Ministério da Cultura e com o Instituto Camões, que coloca igualmente a hipótese de destacar um bolseiro para trabalhar no consultório.
Porém, apesar da boa vontade manifestada por algumas entidades oficiais, o projecto só se manterá se houver um apoio financeiro, pois o site "gera despesas mensais de 5.000 euros", segundo o responsável.
Uma das primeiras consequências da falta de verbas será a ausência de resposta a novas dúvidas colocadas, "porque deixará de haver dinheiro para pagar aos especialistas que as esclarecem", observou.
José Mário Costa comentou que em Espanha deverá surgir em breve um projecto semelhante, resultado da colaboração entre a agência de notícias espanhola (EFE), a televisão estatal (TVE) e o Instituto Cervantes (homólogo do Instituto Camões) com o objectivo de promover o castelhano e "evitar a descaracterização da língua".