Cinema comercial regressa a Monção quase 26 anos depois
Monção, 24 abr (Lusa) - A projeção de cinema comercial em Monção vai ser garantida pela Câmara local a partir de quinta-feira com a reabertura de um cineteatro que encerrou há quase 26 anos, anunciou hoje a autarquia.
O cineteatro João Verde abre portas na tarde de 25 de abril após obras de reabilitação de mais de 2,5 milhões de euros, mas com a gestão a cargo da autarquia, que o adquiriu por 350 mil euros em 1998, na altura já devoluto há uma década.
Trata-se de um cineteatro que abriu ao público a 11 junho de 1949 mas que, segundo fonte da Câmara de Monção, com a "ascensão do vídeo e o declínio do cinema", foi encerrado pelos proprietários a 31 de dezembro de 1986, tendo ficado "votado ao abandono".
O "novo" cineteatro João Verde mantém a traça original e conta com uma lotação para 300 pessoas. Além da projeção de filmes comerciais, concertos musicais e apresentação de peças de teatro, a Câmara prevê realizar no local seminários, colóquios, encontros e exposições.
A projeção de cinema, que deverá ter um desfasamento de duas a três semanas face às estreias nacionais, será garantida pela autarquia, que assume a exploração do equipamento, tendo definido preços de 3 euros (adultos) e 2,5 euros (crianças) por sessão.
Uma oferta que, lembrou recentemente o vereador da Cultura naquela Câmara, surge precisamente numa altura em que no distrito de Viana do Castelo não existe mais oferta de cinema comercial.
"À nossa volta o cinema está fechado, mas em Monção vai haver. Para o Portugal profundo, chegar um filme com três semanas depois da estreia no Porto ou em Lisboa, não é nada excessivo", admitiu ainda Augusto Domingues.
Depois de assumir a posse do equipamento a autarquia avançou com obras de requalificação divididas por duas fases e cerca de 15 anos.
A primeira foi adjudicada por 1,1 milhões de euros e incidiu no exterior do imóvel e contemplou também a "consolidação dos paramentos e a execução de novas divisões, coberturas e caixilharias". Englobou, ainda, o aumento da volumetria de forma a equipar o edifício com uma caixa de palco, numa intervenção global que recebeu uma comparticipação comunitária de 570 mil euros.
A segunda fase da reabilitação custou 1,4 milhões de euros e envolveu a recuperação de tetos, paredes e pavimentos, entre outras, tendo recebido um apoio comunitário de 900 mil euros.
As obras de recuperação e redimensionamento do edifício, explicou fonte da autarquia, compreenderam as "orientações e exigências" definidas pelo Instituto Português de Artes e Espetáculos.
Está prevista uma terceira fase de trabalhos, para o segundo piso do edifício, nomeadamente com a instalação de um café concerto e de um palco de apoio.