Cinemateca exibe animação portuguesa de 1931 encontrada na Feira da Ladra

Cinemateca exibe animação portuguesa de 1931 encontrada na Feira da Ladra

O filme português de animação "A Lenda de Miragaia" (1931), cujo paradeiro era desconhecido e do qual foi encontrado um negativo à venda numa feira, vai ser exibido no dia 27, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"A Lenda de Miragaia", de Raúl Faria da Fonseca e António Cunhal, é considerado um dos primeiros filmes de animação do cinema português e estava dado como perdido, até que, em maio passado, foi doado à Cinemateca Portuguesa o negativo da obra, encontrado à venda na Feira da Ladra, em Lisboa.

Segundo a Cinemateca, a película foi identificada e alvo de restauro analógico e vai ser exibida num grande ecrã no próximo dia 27, Dia Mundial do Património Audiovisual.

A exibição de "A Lenda de Miragaia", numa sessão com outros filmes curtos de animação, assinala ainda o fim da aplicação do Plano de Recuperação e Resiliência na Cinemateca, que permitiu digitalizar mais de 1.000 obras cinematográficas portuguesas produzidas em película.

Em junho passado, a Cinemateca Portuguesa anunciava a doação e depósito deste filme por Duarte Veloso, cinéfilo e frequentador da Cinemateca Portuguesa, e pelo pai, que viram à venda na Feira da Ladra duas latas de bobines contendo o negativo, em formato de película de nitrato de celulose.

Em entrevista divulgada pela Cinemateca, Duarte Veloso disse que as duas latas -- que tinham escrito no rótulo o nome do filme - custaram 25 euros.

Depois de ter espreitado a película e de ter tomado conhecimento de que o filme era considerado perdido, decidiu fazer o depósito na Cinemateca com um objetivo: "Para ser restaurado, preservado e exibido".

Na base de dados do cinema português da Universidade da Beira Interior a entrada sobre este filme inclui uma citação de crítico e ensaísta Manuel Félix Ribeiro (1906-1982), primeiro diretor da Cinemateca: "A Lenda de Miragaia" é "verdadeira e ousada experiência" que "procurava transpor para a tela e por um processo nunca então tentado [em Portugal]" a animação de silhuetas.

A animação desta curta-metragem foi feita com a utilização de uma "câmara escura" e "foto a foto", totalizando 28.400 fotogramas.

Os intertítulos e a montagem originais foram reconstituídos pela Cinemateca "a partir de indicações manuscritas constantes do negativo, de fontes de época, e da versão da lenda incluída no Romanceiro de Almeida Garrett".

 

 

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