Colecção da Caixa Geral Depósitos passa por várias cidades portuguesas

A colecção de arte da Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai ser exposta em Portugal e circular por várias cidades, revelou o presidente da Culturgest, entidade criada pelo banco estatal para a área da cultura.

Agência LUSA /

Bragança deverá ser a primeira cidade a receber "ainda no Outono" uma mostra de parte do espólio artístico detido pelo banco estatal, numa prova de "descentralização" da instituição, seguindo-se o espaço Fidelidade-Mundial, no Chiado (Lisboa), afirmou Manuel Vaz à Agência Lusa, à margem da inauguração, terça-feira, de uma exposição de fotografia em Paris.

Actualmente, a CGD possui "mais de 800 peças", cujo conjunto está avaliado em "mais de um milhão de contos" (cerca de cinco milhões de euros), disse o responsável.

A vontade de "fazer circular" a colecção pretende dar sequência à exposição "Dedans-Dehors. Portugal en Photographies", no Centro Cultural Calouste Gulbenkian na capital francesa, onde estão reunidas 52 fotografias da colecção do banco.

Parte destas imagens encontravam-se na sede da CGD em Bruxelas, onde estavam desde a sua aquisição para integrarem uma exposição na Europália, em 1991.

A estas juntaram-se mais cerca de 26 fotografias compradas expressamente para a exposição inaugurada terça-feira.

"A colecção de fotografia ganhou um novo fôlego, depois de nos últimos anos termos comprado essencialmente pinturas, esculturas ou vídeos e não queremos parar", garantiu Manuel Vaz.

A mostra de Paris foi comissariada por Jorge Calado, que também foi responsável pela Colecção Nacional de Fotografia e pela exposição na Europália e que teve apenas dois meses para comprar mais obras e organizar todo o evento, sob sugestão do presidente da Fundação Gulbenkian, Rui Vilar.

Jorge Calado mostrou-se satisfeito com o resultado e com a qualidade de aquisições, que incluem alguns trabalhos de Brett Weston, Kees Scherer (fundador da World Press Photo), Edouard Boubat ou Thurston Hopkins.

O objectivo era reunir fotografias de Portugal da autoria de profissionais estrangeiros, às quais Calado juntou imagens de vários fotógrafos portugueses residentes no estrangeiro ou que tenham passado algum tempo fora do país, como Gérard Castello-Lopes, Ricardo Rangel, José M. Rodrigues ou Paulo Nozolino.

"Acho que olham para o país de maneira diferente e queria comparar o olhar com o dos outros", declarou o comissário da exposição.

Jorge Calado espera agora que a CGD continue investir na compra de fotografias de autores estrangeiros sobre Portugal.

"É um poço sem fundo", garante.

A exposição "Dedans-Dehors. Portugal en Photographies" vai manter-se no Centro Cultural Calouste Gulbenkian, em Paris, até 12 de Julho, podendo depois seguir para a cidade francesa de Lyon.

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