Colecção de histórias de amor de Fialho de Almeida lançada domingo em Beja

Uma colecção de dez histórias de amor de Fialho de Almeida é lançada domingo, em Beja, para evocar os 150 anos do nascimento do escritor português e uma das figuras mais notáveis da cultura alentejana.

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Obras de Fialho de Almeida lançadas este fim-de-semana DR

Integrado no Festival do Amor, a decorrer até domingo, em Beja, o lançamento do livro "Amor? Dez Contos de Fialho de Almeida" está marcado para as 17:30, na cafetaria do Teatro Municipal Pax Julia.

O responsável pela selecção dos contos, Paulo Barriga, explicou hoje à agência Lusa que o livro, editado pela 100Luz, pretende evocar os 150 anos do nascimento de Fialho de Almeida, que considerou "uma das figuras mais notáveis da cultura alentejana" e, citando Fernando Pessoa, "o melhor contista alguma vez nascido em Portugal".

Trata-se de "um livro interessante", porque, frisou Paulo Barriga, com as dez histórias, que "trespassam de uma ponta à outra a produção literária" de Fialho de Almeida, "regressamos ao escritor, através do mais inesperado dos temas: o amor".

"Descobrir o endemoninhado Fialho de Almeida pela palavra do amor é uma experiência deveras reconfortante", afirmou.

Por outro lado, defendeu, "não restam dúvidas que é recorrendo ao amor, fazendo dele uma gentil arma de arremesso, que Fialho de Almeida mais dura e certeiramente consegue vibrar a sua desabrida e indomável pena contra os bons costumes e as supostamente sãs mentalidades do seu tempo".

Fialho de Almeida, o jornalista e panfletista dos finais do século XIX, morreu há 96 anos, na vila de Cuba, no distrito de Beja, onde residia, gerindo as suas propriedades e já afastado da escrita, que, na época, lhe dera fama.

Nascido em Vila de Frades, concelho de Vidigueira, também no distrito de Beja, em 1857, Fialho de Almeida licenciou-se em Medicina e, quando acabou o curso, já era um escritor conhecido.

Foi com a publicação do seu primeiro livro "Contos", em 1881, que dedicou ao escritor Camilo Castelo Branco, que lhe adveio a consagração, segundo os estudiosos da sua obra.

O período mais intenso da sua vida literária está enquadrado nos anos de 1889 a 1894. Neste intervalo, todos os anos produzia um livro, ao mesmo tempo que mantinha uma colaboração permanente com jornais.

Foi por esta altura que começou a lançar "Os Gatos", uma revista mensal, onde apresentava a realidade social do país.

A sua obra literária destaca-se essencialmente pelos contos.

Além de "Contos" (1881) e "Os Gatos" (1889/94), publicou ainda, entre outros, "A Cidade do Vício" (1882), "Lisboa Galante" (1890) e "O País das Uvas" (1893).

Revolucionário e republicano, Fialho de Almeida veio a aliar-se à direita monárquica, tendo apoiado o governo ditatorial e anti-parlamentarista de João Franco, (1906/1908), situação que o veio a afastar da maior parte dos escritores mais influentes de então.

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