Colecção Francisco Capelo sai do CCB para o Palacio Santa Catarina
A Colecção Francisco Capelo, actualmente em exposição no Centro Cultural de Belém, vai passar para o Palácio de Santa Catarina, em Lisboa, devendo abrir ao público no final de 2007, anunciou hoje o presidente da autarquia.
"No final do próximo ano, a cidade vai ter um espaço cultural [o Museu do Design e da Moda] de maior importância, não só para Lisboa, mas também no contexto europeu", disse António Carmona Rodrigues, em conferência de imprensa nos Paços do Concelho, onde estiveram também presentes o vereador da Cultura, José Amaral Lopes, e Francisco Capelo.
A Colecção Francisco Capelo reúne actualmente cerca de 900 peças de design, entre mobiliário e objectos utilitários, mais um vasto espólio de moda onde estão representados os principais designers e costureiros do século XX.
Segundo o coleccionador, há peças que vão estar em exposição no Museu do Design e da Moda que nunca foram vistas.
"A colecção tem 900 peças, as que estão no Centro Cultural de Belém não chegam às 300", afirmou Capelo, adiantando que o público ainda não viu o espólio de moda.
Para Carmona Rodrigues, instalar o Museu do Design no Palácio de Santa Catarina irá "prestigiar a importância e relevância da exposição e vai contribuir para o desenvolvimento económico da cidade e principalmente da zona onde está instalado", no bairro histórico do Bairro Alto.
O Palácio de Santa Catarina, situado junto ao Miradouro de Santa Catarina, foi habitado até há relativamente pouco tempo, mas precisa de obras de remodelação para acolher a exposição, mas ainda não há estimativa do valor que vai implicar, referiu o autarca.
O vereador da Cultura, Amaral Lopes, afirmou, por seu turno, que "é uma obra muito exigente, que implica muita criatividade e a requalificação do espaço, que deve ter uma vivência cultural muito qualificada".
Amaral Lopes assegurou que a "trasladação" da exposição do Centro Cultural de Belém para o Palácio de Santa Catarina "será feita de forma a garantir as melhores condições técnicas do espólio".
Francisco Capelo mostrou-se satisfeito com o novo espaço que vai acolher a sua exposição, afirmando que foi a "solução mais inteligente, mais estimulante e mais interessante".
Questionado sobre a possibilidade da internacionalização da exposição, o coleccionador afirmou que as peças não devem sair de Portugal para não correrem o risco de se estragarem.
"As peças estão num estado impecável. Se viajarem há o risco de se estragarem. Quem quer ver, vem a Lisboa visitar", sublinhou o coleccionador.
Francisco Capelo acrescentou que "tem havido uma grande preocupação do património continuar a existir em boas condições para as gerações futuras".
O coleccionador adiantou que na altura da inauguração do museu irá doar um conjunto de peças à Câmara de Lisboa.
Carmona Rodrigues anunciou ainda que antes do museu abrir irá realizar uma iniciativa em Madrid para público especializado, com parte de acervo, para divulgar a exposição.
A dimensão, riqueza e extrema qualidade da colecção possibilita a problematização do conceito de design ao longo do século XX e dá a conhecer ao público português a sua evolução formal e tecnológica.
Entre os nomes representados contam-se, entre muitos outros, Tom Dixon, Phillipe Starck, Charlotte Perriand, Jean Prouve, Dieter Rams, Charles&Ray Eames, Verner Panton e Joe Colombo, Archizoom, Frank O. Gehry, Grupo Memphis, Garouste&Bonetti, Andrea Branzi, Fernando e Humberto Campana, Droog Design, Ron Arad, El Ultimo Grito e Ross Lovegrove ou os portugueses Daciano Costa, Pedro Silva Dias, Filipe Alarcão e Francisco Rocha.
A criação do Museu do Design e da Moda assume-se como um factor determinante para o desenvolvimento económico e cultural de Lisboa e do país, enriquecendo o panorama da museologia contemporânea portuguesa, adiantou Amaral Lopes.
Será ainda uma plataforma de encontros entre os designers, criadores e outros profissionais da área, a indústria, o tecido empresarial e as instituições de ensino.