Comemorações salientam interligação das identidades de Portugal e Brasil

Lisboa, 27 Nov (Lusa) - A ministra da Cultura afirmou hoje que o plano de comemorações dos 200 anos da chegada da Corte portuguesa ao Brasil salienta como a identidade de um país está ligada à do outro.

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"Estas comemorações fazem-nos acreditar que a nossa identidade cultural passa pelo Brasil e a do Brasil por Portugal", disse Isabel Pires de Lima.

A ministra apresentava no Museu de Marinha o programa das comemorações num cenário que "recriava" a partida da Família Real do cais de Belém para o Brasil, precisamente há 200 anos, estabelecendo numa colónia o centro administrativo do império.

O historiador Rui Rasquilho, que já foi conselheiro cultural de Portugal em Brasília e é actualmente director do Mosteiro de Alcobaça, salientou duas questões nestas celebrações: "salientar a modernidade portuguesa" e "funcionar sem orçamento próprio, mas dentro dos orçamentos dos respectivos departamentos".

"Pretendemos apresentar a modernidade portuguesa no Brasil, tal como a Família Real há 200 anos atrás levou a modernidade para a colónia", disse Rasquilho.

O responsável sublinhou a "originalidade destas comemorações, que se fazem sem orçamento próprio".

O presidente da Comissão 200 Anos Portugal-Brasil do Ministério da Cultura, criada em Outubro do ano passado, explicou que se irá trabalhar "com orçamento zero, porque as diversas direcções gerais e institutos dependentes do Ministério da Cultura de Portugal funcionam com o seu próprio orçamento, integrando nas suas actividades iniciativas ligadas às comemorações".

Rui Rasquilho acredita que todos os eventos programados vão permitir um maior conhecimento entre os dois povos e incentivar análises modernas sobre esse período importante da História, e quer "umas comemorações populares".

Entre as propostas do plano comemorativo estão o bailado "Pedro e Inês", pela Companhia Nacional de Bailado, e a peça "Nação crioula", de José Eduardo Agualusa, com actores dos dois países.

Uma exposição de fotografia de "casas de brasileiros", as que os portugueses vindos do Brasil construíram nas suas terras de origem, e um exposição de 150 obras, "Linha do horizonte", que procura ser uma síntese dos últimos 50 anos de criação plástica em Portugal, são outras propostas, tendo Rasquilho realçado "que tudo que será apresentado no Brasil, também o será em Portugal".

Edições de livros, medalhas comemorativas, uma série filatélica, são outras iniciativas inscritas nas celebrações.

A TAP Air Portugal, a única companhia aérea que faz a ligação área regular entre Portugal e o Brasil, irá ter menus específicos e exibir várias curtas-metragens portuguesas.

Será também através da TAP que se escoarão os 5.000 volumes da colecção "Crista da Onda" criada pela extinta Comissão para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses.

"Todos os volumes relacionados com o Brasil serão oferecidos aos mais novos, escoando assim o existente em armazém", disse Rasquilho.

A 28 de Novembro de 1807, com as tropas napoleónicas já em território português, a Rainha D. Maria I, o Príncipe Regente D. João, por demência da soberana, e a sua mulher Carlota Joaquina, embarcaram para Brasil.

Com a Família Real partiram 15.000 portugueses, que terão lotado 25 navios mercantes, escoltados por 18 navios de guerra portugueses e 13 com pavilhão inglês.

A 22 de Janeiro, a Corte instalou-se em São Salvador da Baía, onde D. João assinou o decreto real que permitiu a abertura dos portos às nações amigas e um outro que instituiu a Faculdade de Medicina.

A 07 de Março, a Rainha e o Príncipe Regente viajaram para o Rio de Janeiro, que se tornou a nova capital do Império.

Em 1815, D. João elevou o Brasil à categoria de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, facto salientado pela ministra hoje no Museu de Marinha.

Após a morte da Rainha, a 20 de Junho de 1816, D. João proclamou-se Rei de Portugal, Brasil e Algarves na igreja de Nossa Senhora do Carmo a 06 de Fevereiro de 1818.

A 25 de Abril de 1821 o Rei, D. João VI, regressou a Lisboa, deixando a governar o Reino do Brasil o seu filho primogénito, D. Pedro de Alcântara.

Rasquilho afirmou que do lado brasileiro "as comemorações terão um carácter mais históricos, pois querem acentuar o facto que a ida da Corte para o Rio de Janeiro está directamente ligada à independência do Brasil [em 1820]".

Também este facto foi realçado por Isabel Pires de Lima que afirmou que neste sentido "Portugal foi exemplar e único".

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