Companhia de Dança de Lisboa despejada do Palácio dos Marqueses de Tancos (ACTUALIZADA)

Lisboa, 29 Nov (Lusa) - O despejo do espólio da Companhia de Dança de Lisboa (CDL) do Palácio dos Marqueses de Tancos, iniciado hoje de manhã pelas 08:00, irá prosseguir até ao final da semana, disse fonte municipal à Lusa.

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A Polícia Municipal (PM) entrou no Palácio, à Costa do Castelo, no cumprimento de um despacho administrativo do executivo camarário, referiu o sub-intendente André Gomes, comandante daquela força de segurança.

Segundo fonte autárquica, a CDL tinha sido notificada pela autarquia do despejo, tendo 90 dias para sair do palácio.

Na avaliação do comandante da PM, existia "perigo iminente de uma catástrofe", dado o mau estado em que se encontravam as instalações à guarda da CDL, companhia fundada em 1984 por José Manuel Oliveira.

Várias botijas de gás, fritadeiras eléctricas, uma delas em funcionamento, cabos eléctricos descarnados, ligações eléctricas precárias, foram algumas das situações encontradas pela Polícia que levaram a pedir a intervenção dos bombeiros.

O director da companhia, José Manuel Oliveira, encontra-se detido por ter agredido uma agente policial e foi hoje presente ao Ministério Público, indicou fonte policial.

O espaço ocupado pela CDL no Palácio dos Marqueses de Tancos, edifício do século XVI que sobreviveu ao terramoto de 1755, servia também para habitação de sete bailarinos e um guarda, que foram igualmente desalojados.

Três dos bailarinos, de nacionalidade mexicana, irão pedir apoio à embaixada do seu país, assim como os dois bailarinos belgas. Uma bailarina luso-canadiana tem família em Lisboa que a irá acolher.

Um dos bailarinos, Benjamim Durán, disse à Lusa que se encontrava a estagiar há quatro meses na CDL.

Tanto Durán como a bailarina Cittallei Caballero previam realizar um estágio de um ano.

A questão do acolhimento do guarda de 78 anos, que não era funcionário camarário, "está a ser tratada entre a Câmara e a Santa casa da Misericórdia", disse o director municipal da Cultura, Rui Pereira.

O palácio evidencia graves danos patrimoniais, nomeadamente azulejos quebrados, tectos abertos, escadas e soalhos degradados e em risco de abatimento.

De acordo com a fonte autárquica, o espaço ocupado pela CDL não tinha condições de salubridade.

Rui Pereira, que se encontrava no local, afirmou que a Câmara de Lisboa não tinha qualquer conhecimento "do deplorável estado de conservação do palácio, porque desde há dez anos o director da companhia não deixava entrar nenhum funcionário camarário, tendo inclusive mudado as fechaduras do portão".

Para retirar todo o espólio da CDL, foram utilizados três camiões de quatro toneladas cada e ainda algumas carrinhas de caixa alta da polícia municipal.

O espólio, identificado e catalogado por caixas, irá para depósito municipal e o palácio passa para a posse em definitivo da Câmara de Lisboa, informou Rui Pereira, segundo o qual "foram já mudadas as fechaduras do portão e será feita uma nova vistoria dos bombeiros".

Além do espólio, disse ainda, "foi também retirada uma carrinha Mercedes Benz com dois anos, propriedade do senhor José Manuel Oliveira".

NL.

Lusa/Fim


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