Companhia de teatro Filandorra comemora 40 anos de resiliência em Trás-os-Montes
A companhia de Teatro Filandorra comemora 40 anos de "existência e resiliência" em Trás-os-Montes com uma programação que arranca hoje com a estreia de "Um pedido de casamento", de Anton Tchekhov, e se prolonga por 2026.
O diretor da companhia sediada em Vila Real, David Carvalho, disse hoje, em conferência de imprensa, que a história desta resiliência de 40 anos se conta também em números: cerca de 100 produções, cinco mil espetáculos e perto de um milhão de espetadores.
O responsável fala num "reportório universal, nacional e local" e de palcos que se estendem de Trás-os-Montes à capital Lisboa, mas também ao Porto, Setúbal, festivais nacionais, e países como França, Alemanha e Espanha.
As comemorações têm início com a estreia, esta noite, no Teatro de Vila Real, da peça "Um pedido de casamento", de Anton Tchekhov, mas segundo David Carvalho, ao longo de 2026 a companhia vai realizar ainda as iniciativas Teatro e Comunidade, com os casamentos do carnaval em Murça, o enterro do entrudo em Vilarandelo (Valpaços), mil diabos à solta em Vinhais.
Prevê ainda estrear, em fevereiro, "O Urso", de Anton Tchekhov, em Vila Flor, e depois, no Dia Mundial do Teatro, em 27 de março, "O Morgado de Fafe Amoroso", de Camilo Castelo Branco, em Fafe, associando-se às comemorações dos 200 anos deste escritor português.
Em abril, a Filandorra realiza a iniciativa "Memoriar Abril" a partir das montanhas, numa homenagem a António Borges Coelho, que acontece em Murça, e, nos meses a seguir, há um "Encontro na praça", em Vila Real, e a estreia de "As Bacantes", de Eurípides.
Em setembro, a companhia associa-se ao Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, em Montalegre. Depois realiza o congresso nacional "O Teatro no interior", coordenado por Marcelino Lopes, e promove a exposição "Quarenta Anos - memórias e imagens".
Em dezembro, acontece a estreia, na concatedral de Mirando do Douro, de "O Menino Jesus da Cartolinha", de Vergílio Alberto Vieira, que é falado em mirandês.
A vereadora do pelouro da Cultura da Câmara de Vila Real, Mara Minhava, enalteceu as "quatro décadas de muito trabalho, sobretudo quatro décadas de muita resiliência" da companhia.
"E também quatro décadas de um grande comprometimento com o território", realçou, destacando ainda o trabalho da Filandorra nas aldeias e o cuidado de, paralelamente, "investir na criação" e demonstrar que "também é possível fazer teatro a partir do interior".