Companhia Vortice Dance leva "Drácula" na primeira digressão ao Brasil

Fátima, 12 mar (Lusa) -- A companhia Vortice Dance, de Fátima, inicia no sábado a sua primeira digressão ao Brasil, onde vai apresentar "Drácula", espetáculo inspirado na obra de Bram Stoker, em seis cidades diferentes.

Lusa /

À agência Lusa, Cláudia Martins que, juntamente com Rafael Carriço, coreografou a produção, afirmou hoje que a estreia no Brasil é mais uma oportunidade para mostrar o trabalho que a companhia, do distrito de Santarém, "desenvolve na área da dança contemporânea".

"As expectativas são elevadas. Levar uma temática que associamos à Europa, concretamente à Transilvânia e a Londres, locais frios, a um público de um país tropical com uma cultura diferente da nossa, vai ser curioso", disse Cláudia Martins.

A bailarina adiantou que esta produção surgiu após terem sido convidados a coreografar, por duas vezes, em Bucareste, capital da Roménia, período durante o qual se confrontaram com aquele personagem.

"Na primeira vez coreografámos um solo inspirado nas pinturas `Le Roi Fou` [o rei louco], de autoria do pintor romeno Corneliu Baba", contou a responsável, observando que "no espetáculo as pessoas ficaram muito impressionadas porque associaram o personagem ao ditador Ceascescu".

Segundo Cláudia Martins, em Bucareste depararam-se, ainda, "com outro personagem maligno, o príncipe Vlad", tendo decidido fazer uma peça de dança de contemporânea.

"Como a reação do público foi tão boa, sentimos isso como um estímulo", justificou.

O espetáculo, uma coprodução com o Macedonian Opera & Ballet, estreou em Skopje, Macedónia, a 29 de abril de 2011, e a sua apresentação continuou por vários países.

"A última apresentação foi no festival de música George Enescu, na Ópera Nacional de Bucareste, onde o espetáculo, que esgotou com meses de antecedência, foi filmado em direto", adiantou a bailarina.

Para a peça "Drácula", além de se inspirarem na obra literária de Bram Stoker, os coreógrafos Cláudia Martins e Rafael Carriço criaram novos personagens e inspiraram-se noutras lendas e mitos.

"No desenrolar da peça, `Drácula` assume diferentes formas, caras, animais e corpos. A essência deste ser malévolo e de muitos outros personagens é transposta para a contemporaneidade, explorando as várias formas do lado sombrio que existe em nós mesmos", resume a companhia, adiantando: "É assim que na peça surgem personagens inéditas como um cozinheiro alucinado, que faz um prato de `Arroz de cabidela`, um prato com frango, arroz e sangue".

"Apesar de haver de momentos de tensão, a peça tem registos de humor", acrescentou Cláudia Martins, destacando a sonoplastia, "muito forte e intensa", com músicas de Lou Reed ou temas do "emblemático filme de Coppola `Drácula`".

A digressão, com o apoio do Ministério da Cultura Brasileiro, começa no sábado, no Rio de Janeiro, seguindo para Novo Hamburgo e, depois, Porto Alegre. São Paulo, Recife e Natal são as cidades que se seguem.

"Vamos estar nas principais salas de espetáculos deste país", declarou Cláudia Martins, explicando que são 12 os bailarinos, de várias nacionalidades, que integram a produção.

Depois do Brasil, a Vortice Dance Company leva "Drácula" à Suíça, onde termina a digressão.

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