Cultura
Concerto com música de Wagner cancelado em Israel
Richard Wagner tem sido tabu em Israel desde a fundação do Estado, em 1948. Este ano, o do bicentenário de Wagner, parecia destinado a marcar o fim do boicote informal que pesa sobre o compositor alemão do século XIX. Mas o primeiro concerto wagneriano, marcado para 18 de Junho, acabou por ser cancelado.
O concerto devia apresentar as aberturas das óperas "Tannhäuser", "Os mestres cantores de Nuremberga", "Tristão e Isolda", bem como a "Cavalgada das Valquírias" (incluída em "O Anel dos Nibelungos") e a marcha fúnebre de Siegrried (de "O Crepúsculo dos deuses").
A Universidade contra a música wagneriana O concerto era organizado pela Sociedade Wagner, de Israel e estava previsto que tivesse lugar no Auditório Smolarz, da Universidade de Tel Aviv. Mas a Universidade queixou-se de não ter sido informada de que iria ser tocada música wagneriana e cancelou o concerto que iria ter lugar no seu auditório.
A Universidade considerou também que essa música "pisa uma linha vermelha" e que "ia ferir os sentimentos do público israelita em geral e dos sobreviventes do Holocausto em especial". Segundo um porta-voz da universidade, esta recebeu "queixas acesas e iradas, e exigências de que o controverso concerto fosse cancelado".
O presidente israelita da Sociedade Wagner, Jonathan Livny, anunciou segundo o site de Der Spiegel que iria recorrer aos tribunais para forçar a universidade a cumprir as suas obrigações contratuais. Entretanto, a Sociedade Wagner procura outro local onde levar a cabo o concerto.
Quando os judeus admiravam Wagner A hostilidade de grande parte do público israelita tem um motivo claro e tem uma história que não é tão simples. O motivo claro é o antisemitismo de que o compositor fez gala em diversos momentos da vida. Wagner nasceu em 1812, foi um democrata revolucionário na grande crise de 1848, mas logo em 1850 assinou um texto violentamente judeofóbico.
Quase um século depois, Hitler utilizou de forma manipulatiória os preconceitos wagnerianos, fez da sua música um símbolo do nazismo e da sua cidade, Bayreuth, um lugar de culto. Mas o antisemitismo nazi diferia do preconceito de Wagner por ser racista, ao passo que este era de natureza principalmente religiosa e cultural. Wagner defendia uma assimilação, mesmo forçada, dos judeus à cultura germânica.
Por seu lado, os músicos e o público judeus sempre tinham separado a importância de Wagner como compositor e os seus preconceitos políticos ou religiosos. Do mesmo modo que a música wagneriana foi admirada e instrumentalizada pelo nacionalismo alemão, foi-o também pelo fundador do nacionalismo sionista, Theodor Herzl. Perfeitamente a par do antisemitismo de Wagner, Herzl prestava no entanto um ardente tributo à sua música.
Segundo Amos Elon, o biógrafo de Herzl, este "virou-se para a música wagneriana para se inspirar e para dissipar dúvidas ocaisonais. Ele estava encantado com a música do grande antisemita e assistia fielmente a todos os espectáculos de Wagner na Ópera de Paris"
Também a Filarmonia judia da Palestina sob o mandato britânico estudou, ensaiou e tocou durante muitos anos as principais obras de Wagner. E só decidiu finalmente cortar essa ligação após a chamada "Noite dos Cristais", o grande pogrom nazi de Novembro de 1938. Mais recentemente, o maestro judeu Daniel Barenboim tem reabilitado a música de Wagner na sua orquestra israelo-palestiniana.
A Universidade contra a música wagneriana O concerto era organizado pela Sociedade Wagner, de Israel e estava previsto que tivesse lugar no Auditório Smolarz, da Universidade de Tel Aviv. Mas a Universidade queixou-se de não ter sido informada de que iria ser tocada música wagneriana e cancelou o concerto que iria ter lugar no seu auditório.
A Universidade considerou também que essa música "pisa uma linha vermelha" e que "ia ferir os sentimentos do público israelita em geral e dos sobreviventes do Holocausto em especial". Segundo um porta-voz da universidade, esta recebeu "queixas acesas e iradas, e exigências de que o controverso concerto fosse cancelado".
O presidente israelita da Sociedade Wagner, Jonathan Livny, anunciou segundo o site de Der Spiegel que iria recorrer aos tribunais para forçar a universidade a cumprir as suas obrigações contratuais. Entretanto, a Sociedade Wagner procura outro local onde levar a cabo o concerto.
Quando os judeus admiravam Wagner A hostilidade de grande parte do público israelita tem um motivo claro e tem uma história que não é tão simples. O motivo claro é o antisemitismo de que o compositor fez gala em diversos momentos da vida. Wagner nasceu em 1812, foi um democrata revolucionário na grande crise de 1848, mas logo em 1850 assinou um texto violentamente judeofóbico.
Quase um século depois, Hitler utilizou de forma manipulatiória os preconceitos wagnerianos, fez da sua música um símbolo do nazismo e da sua cidade, Bayreuth, um lugar de culto. Mas o antisemitismo nazi diferia do preconceito de Wagner por ser racista, ao passo que este era de natureza principalmente religiosa e cultural. Wagner defendia uma assimilação, mesmo forçada, dos judeus à cultura germânica.
Por seu lado, os músicos e o público judeus sempre tinham separado a importância de Wagner como compositor e os seus preconceitos políticos ou religiosos. Do mesmo modo que a música wagneriana foi admirada e instrumentalizada pelo nacionalismo alemão, foi-o também pelo fundador do nacionalismo sionista, Theodor Herzl. Perfeitamente a par do antisemitismo de Wagner, Herzl prestava no entanto um ardente tributo à sua música.
Segundo Amos Elon, o biógrafo de Herzl, este "virou-se para a música wagneriana para se inspirar e para dissipar dúvidas ocaisonais. Ele estava encantado com a música do grande antisemita e assistia fielmente a todos os espectáculos de Wagner na Ópera de Paris"
Também a Filarmonia judia da Palestina sob o mandato britânico estudou, ensaiou e tocou durante muitos anos as principais obras de Wagner. E só decidiu finalmente cortar essa ligação após a chamada "Noite dos Cristais", o grande pogrom nazi de Novembro de 1938. Mais recentemente, o maestro judeu Daniel Barenboim tem reabilitado a música de Wagner na sua orquestra israelo-palestiniana.