Congresso Mundial de Arquitetos entra na reta final com maiores nomes da arquitetura mundial

O 27.º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2021RIO) entra, a partir de domingo, na reta final, com os maiores nomes da Arquitetura mundial e com um balanço "mega positivo", após alcançar um público recorde, disseram à Lusa fontes oficiais.

Lusa /

De domingo até quinta-feira, e após uma edição completamente `online` devido à pandemia de covid-19, o UIA2021RIO receberá, virtualmente, nomes como Eduardo Souto de Moura (Portugal), Francis Kéré (Burkina Faso), Anna Heringer (Alemanha) e Dominique Perrault (França).

Contudo, em declarações à Lusa, Igor de Vetyemy, comissário-geral do UIA2021RIO, salientou que a pandemia fez o Congresso atingir um público recorde, "nunca antes alcançado em 70 anos de história de Congressos Mundiais", garantindo que, a partir de agora, "jamais voltarão a fazer eventos exclusivamente presenciais".

"Desta etapa final podemos esperar o maior evento de Arquitetura e Urbanismo da história do planeta. A situação da pandemia impactou de maneira enorme o Congresso. No princípio ficamos assustados com esse impacto, mas depois vimos que tanto para a relevância do Congresso, quanto para o seu alcance, o impacto foi extremamente positivo, porque este é o momento em que precisamos de reinventar as nossas cidades", disse.

"Tivemos, até aqui, participação de mais de 80 mil pessoas de 180 países diferentes. Isso nunca aconteceu na história da UIA. Então, o impacto da pandemia acabou nos trazendo uma questão inédita e que vai servir, com certeza, de referência para todos os próximos eventos, porque jamais voltaremos a fazer eventos exclusivamente presenciais, como antigamente. É um marco muito importante, passando a servir de exemplo para todos os próximos Congressos Mundiais de Arquitetura", garantiu Vetyemy.

A expectativa inicial, antes da pandemia, era de que o UIA2020RIO reunisse em torno de 20 mil profissionais e estudantes na capital fluminense.

O `pontapé de saída` será dado no domingo, a partir do Palco Mundo, e que incluirá projeções no "Cristo Redentor, drones a voar ao redor da cidade, nas periferias, nas favelas, nos pontos turísticos", assim como participações "muito interessantes, como a de uma escola de samba", detalhou o comissário-geral.

"Não quero estar a revelar muitas das surpresas, mas vai ser uma abertura linda, com a presença de várias figuras importantes", indicou.

Entre as figuras já anunciadas e que marcarão presença no evento estão o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o governador estadual do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, o presidente da União Internacional de Arquitetos (UIA), Thomas Vonier, a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, a presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil(IAB), Maria Elisa Baptista, entre outros.

Posteriormente, e até dia 22, os congressistas vão assistir a palestras com 20 dos nomes mais importantes da arquitetura mundial e a mesas-redondas com mais de cem arquitetos premiados internacionalmente, além de apresentações de trabalhos, atividades culturais e premiações.

O debate sobre o futuro das cidades deixa de ter fronteiras num ambiente 100% digital e temas fundamentais ao planeamento urbano, como infraestruturas, eficiência energética, mobilidade urbana, habitação social, saúde pública, património, cultura, saneamento e uso das águas serão apresentados ao longo do programa.

Todo o conteúdo estará disponível em cinco idiomas (português, inglês, espanhol, francês e mandarim), para que congressistas de todos os continentes assistam às conferências sobre cidades mais justas, sustentáveis, resilientes, inclusivas e integradas.

"Até agora é um balanço `mega`, `mega positivo`, e reuniremos agora os maiores nomes da arquitetura mundial, num painel muito diverso. Vai ser lindo, vamos mostrar muito do mundo para o mundo, muito da cultura brasileira, vamos ter a participação de povos indígenas, acho que vai ser um diálogo espetacular e essencial neste momento", acrescentou Igor de Vetyemy.

Além da vasta programação, está ainda prevista a apresentação da Carta do Rio, um documento que deve tornar-se referência para a arquitetura e o urbanismo mundiais e atuar como um manifesto dos profissionais dessas áreas.

"A carta está sendo construída, está praticamente pronta, mas já recebeu contribuição de todos as entidades de arquitetura e urbanismo do Brasil, inclusive de outras entidades que não são ligadas à arquitetura, como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) [centro investigação médica de referência no país}", disse.

"É uma espécie de manifesto, baseado em tudo o que já foi compartilhado neste Congresso. Já temos várias apresentações acumuladas e foram elas que balizaram o texto desta carta que é muito `propositivo`. Debruça-se sobre esta situação e depois faz uma série de propostas para as cidades do futuro, construídas a muitas mãos", explicou Vetyemy.

A decorrer desde março, em versão digital, o congresso tem vindo a reunir profissionais dos cinco continentes, em semanas temáticas de debate, que abordaram "Fragilidades e Desigualdades", "Diversidade e Mistura", "Mudanças e Emergências" e "Transitoriedades e Fluxos".

Durante a derradeira etapa, será feita a transferência da bandeira do congresso para a Dinamarca, que o acolherá em 2023, assim como do título de Capital Mundial da Arquitetura, para Copenhaga.

O 27.º Congresso Mundial de Arquitetos encerra no próximo dia 22 de julho.

Marcado inicialmente para 2020, o congresso teve de ser adiado para este ano, por causa da pandemia de covid-19, decorrendo de forma virtual desde março. Excecionalmente, a sessão de domingo, segundo Nuno Sampaio, será em formato misto, alternando entre o digital e o presencial.

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