Consagração da candidatura do Fado a património imaterial da UNESCO resolverá "alguns preconceitos", diz Tiago Torres da Silva
Lisboa, 23 nov (Lusa) -- A consagração da candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade pode "resolver alguns preconceitos que ainda subsistem em relação ao Fado", afirmou à Lusa o poeta Tiago Torres da Silva.
Autor de mais de 400 letras cantadas para Fado e para outros géneros musicais, Tiago Torres da Silva afirmou que a distinção da UNESCO "poderá ser o aval para uma boa aceitação [do Fado] pelos portugueses".
"Nós somos um povo que parece que precisa sempre de um aval que venha de fora. Este aval parece que vai resolver preconceitos que ainda subsistem em relação ao fado, que sinto serem cada vez mais resquícios", disse Tiago Torres da Silva que se encontra no Brasil a participar no II Encontro de Escritores de Língua Portuguesa da cidade de Natal.
Distinguido este ano com o Prémio Amália Poesia/Composição, Tiago Torres da Silva afirmou que, se o Fado integrar a lista do Património Imaterial da Humanidade, "vai pacificar tudo à volta do Fado, principalmente quem não o aceita".
O autor dos fados "Meu amor vem à janela" e "O mundo gira", entre outros, espera que, com esta distinção, "a prática fadista seja mais bem entendida".
Para Tiago Torres da Silva, que este ano assinou o guião da Gala do Fado da Sociedade Portuguesa de Autores, "o Fado já estava no coração das plateias internacionais" e a " UNESCO ao olhar para Fado está a dizer o mesmo que o público já disse!", rematou.
Tiago Torres da Silva, 42 anos, tem escrito para um leque variado de intérpretes com grande destaque para a área do fado. Entre outros, refira-se Ana Sofia Varela, António Pinto Basto, António Zambujo, Beatriz da Conceição, Carlos do Carmo, Carminho, Celeste Rodrigues, Helder Moutinho, Julieta Estrela, Lina Rodrigues, a espanhola Maria Berasarte, Maria João Quadros, Marina Mota, Rodrigo, Rodrigo Costa Félix e Tereza Tarouca.
Foi autor/encenador de vários espetáculos teatrais, designadamente "Vozes de trabalho", com Lourdes Norberto, Cecília Guimarães, Filipa Pais, Tonicha e Carlos Mendes, "Não digas nada", com Fernanda Borsatti no Nacional D. Maria II, "Bibi vive Amália" com Bibi Ferreira no Canecão (Rio de Janeiro), "É o mar, Alfonsina, é o mar", com José Neves, no Cinearte, "Se não for a mãe da frente" e "Casa de Fado", no Teatro Villarett, "Alguém me sabe dizer se estou vivo?!", no Teatro nacional de D. Maria II, e integrou a equipa de autores das revistas "Preço único" e "Mamã eu quero", no Teatro ABC.
Torres da Silva tomou a direção de espetáculos musicais de Anamar, Beatriz da Conceição, Maria João Quadros, Né Ladeiras, Pilar Homem de Melo, Rita Ribeiro, Tereza Tarouca, entre outros nomes.
"Timbó - Aventuras de um português no Brasil" é o seu mais recente livro, sendo também autor de "Um s a mais", "É o mar, Alfonsina, é o mar", "Minha querida televisão" e "Não digas nada", entre outros.
A candidatura do fado a património imaterial da humanidade foi apresentada pela Câmara Municipal de Lisboa através da EGEAC/Museu do Fado, em junho de 2010, e será votada no VI Comité Inter-Governamental da Convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), a decorrer desde terça-feira em Bali, na Indonésia.
A candidatura portuguesa está entre as sete recomendadas pelo comité de peritos da UNESCO, ao lado do conhecimento dos jaguares, pelos xamãs da tribo ameríndia colombiana Yurupari, da música Mariachi, do México, das danças Nijemo Kolo da Dalmácia (Croácia), da música e dança tsiattista do Chipre e da cavalgada de reis da Morávia (República Checa).