Conselho Diretivo do CCB demite-se em bloco

O Conselho Diretivo do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pediu a demissão por considerar “injusto” o afastamento de António Mega Ferreira. Os seis elementos daquele órgão consideraram inadmissíveis as razões invocadas pelo Governo e apresentaram a demissão na quinta-feira à tarde ao secretário de Estado da Cultura. A renúncia chega quatro dias depois de Vasco Graça Moura ter sido escolhido para administrar o Centro Cultural de Belém, substituindo António Mega Ferreira.

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Consideram "injusta a demissão de António Mega Ferreira". RTP

"Pedimos a demissão em bloco (...). As circunstâncias em que António Mega Ferreira contou como foi despedido é alguma coisa que não pode acontecer num mundo civilizado, num mundo democrático. Politicamente é legítimo mas não me parece justo. Convém as pessoas darem um sinal à tutela de que há limites de decência na mudança dos cargos", afirma Lídia Jorge esta sexta-feira à agência Lusa.

A escritora – que juntamente com João Caraça, Vasco Vieira de Almeida, António Rebelo de Sousa, Laborinho Lúcio e Clara Ferreira Alves integrava o Conselho Diretivo do CCB – confirma que o pedido de demissão foi entregue na quinta-feira ao secretário de Estado da Cultura.

De acordo com Lídia Jorge, a demissão "não tem nada a ver” com a competência do atual diretor do CCB, de quem é amiga. "Não está em causa a categoria de Vasco Graça Moura, o que acho é que há limites para isto", salienta a escritora, garantido que nada fazia prever que António Mega Ferreira não fosse reconduzido na presidência do conselho de administração da Fundação CCB, já que conseguiu manter uma "gestão impecável".

António Mega Ferreira não foi reconduzido no cargo, tenho terminado o segundo mandato de três anos à frente da Fundação CCB a 23 de janeiro. Tinha sido nomeado em 2006 pela então ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, em substituição de João Fraústo da Silva.

Mega Ferreira foi substituído por Vasco Graça Moura, que “corresponde a um novo ciclo de desafios para o cumprimento do serviço público do CCB na área da cultura", referiu na altura da nomeação o secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, em comunicado, elogiando a "ampla experiência aliás reconhecida de forma inequívoca".

Sobre António Mega Ferreira, o secretário de Estado elogiou a forma "exemplar" como executou os dois mandatos, "dando provas de brilho, criatividade e responsabilidade".

Tutela estranha "tom catastrofista"
Entretanto, a secretaria de Estado da Cultura confirmou o pedido de demissão do conselho, mas diz "estranhar o tom catastrofista" das declarações de Lídia Jorge, “dado que as mesmas não são coincidentes com a forma exemplar como foi efetuada a transição de funções entre o Dr. Mega Ferreira e o Dr. Graça Moura".

Em comunicado, a mesma fonte sublinhou que a substituição de António Mega Ferreira na presidência da fundação CCB, "uma vez terminado o seu mandato, é algo perfeitamente normal numa sociedade em democracia".
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