Conselho Português para os Refugiados "Desconstrói Mitos" no festival Kalorama

Conselho Português para os Refugiados "Desconstrói Mitos" no festival Kalorama

 O Conselho Português para os Refugiados (CPR) está no festival Kalorama, que começou hoje em Lisboa, para "desconstruir mitos", tendo criado para isso uma "Biblioteca Humana", espaço onde pessoas refugiadas partilham as suas histórias com o público.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Conselho Português para os Refugiados

O Conselho Português para os Refugiados (CPR) está no festival Kalorama, que começou hoje em Lisboa, para "desconstruir mitos", tendo criado para isso uma "Biblioteca Humana", espaço onde pessoas refugiadas partilham as suas histórias com o público.

A "Biblioteca Humana" é uma das ações promovidas pelo CPR, Organização Não Governamental, no festival, num espaço próprio situado perto da entrada do recinto, no Parque da Bela Vista.

Ao festival de música, o CPR levou a sua "campanha `Desconstrói Mitos`".

"É isso que queremos, sensibilizar as pessoas, não só para toda a desinformação que existe em torno dos refugiados, mas também para dar a conhecer o nosso trabalho, o que fazemos no terreno e também tentar captar fundos, porque estamos a precisar. Temos necessidades de financiamento e por isso conjugamos tudo e estamos com esta campanha `Desconstrói Mitos`", explicou à Lusa Clara Vaz, do CPR.

A "dinâmica principal" da ação do CPR no MEO Kalorama é a "Biblioteca Humana", espaço onde pessoas refugiadas que aquela ONG apoia ou já apoiou "vão contar as suas histórias sem guiões".

Através desta ação, o CPR pretende "humanizar números".

"Temos pessoas reais por trás de todos esses números. Pessoas que passaram por coisas que às vezes são inimagináveis para cada um de nós, realidades com as quais não temos contacto, a maioria de nós, e precisamos disso. Precisamos de mais contacto, de mais informação e precisamos de transformar também algumas ideias que existem já muito fixas em muitas pessoas na sociedade", referiu Clara Vaz.

Entre os mitos que é preciso desconstruir, a responsável refere, por exemplo, o de que "a Europa recebe a maioria dos refugiados", de que "Portugal tem muitos refugiados", de que "os refugiados vêm tirar os empregos aos portugueses", ou de que "os refugiados recebem tudo de graça, algo que às vezes toca muito nos discursos políticos e que é totalmente um mito".

"Fala-se muito de refugiados, mas acabamos por nunca ouvir o lado deles e o que têm para dizer sobre toda esta conversa que existe em torno deles", salientou.

Ao lado da "Biblioteca Humana" há um outro espaço no qual as pessoas "podem conhecer melhor o trabalho do CPR", falando diretamente com os técnicos presentes, de várias áreas.

"Porque trabalhamos em várias áreas, desde o apoio jurídico, apoio social, apoio psicológico, também o ensino do português, temos uma creche, um centro para menores não acompanhados. É isso que queremos também, um diálogo sem filtros, em que as pessoas podem fazer as perguntas que quiserem e nós iremos tentar responder ao máximo sobre essas perguntas", disse.

Hoje, estiveram a conversar com o público pessoas refugiadas originárias do Irão, do Iraque, do Afeganistão e da Rússia, mas o CPR também apoia ou já apoiou refugiados do Gana, Senegal, Guiné, Angola, China, Colômbia, Equador.

"Acaba por ser uma realidade que, infelizmente, está espalhada por todos os continentes e temos mesmo aqui ao lado também a Ucrânia, ao lado de nós, e a Rússia também. Às vezes olhamos só por um lado da Rússia, mas existe o outro, o das pessoas que são perseguidas na Rússia. E são perseguidas em tantos outros países por causa de regimes ditatoriais e de grupos armados e da violência extrema que existe. O leque de países, infelizmente, é muito grande e recebemos pessoas de todo o lado, até dos Estados Unidos", referiu Clara Vaz.

Mesmo em países "que às vezes são considerados como o pilar da democracia, o pilar dos direitos humanos, acaba por haver pessoas que continuam a ser perseguidas por serem quem são, e precisam de proteção".

O recinto do Kalorama abriu hoje às 16:30, estando a atuação do cabeça de cartaz, Robbie Williams, marcada para a 01:20.

Os concertos dividem-se por três palcos, um dos quais dedicado em exclusivo à música eletrónica, por onde hoje passam ou já passaram artistas e bandas como Interpol, Maro, Angine de Poitrine, Grace Jones, Judeline, Melody`s Echo Chamber, Budino e Nathan Fake.

No sábado, dia em que o recinto abre às 14:30, a grande atração do palco principal é Ms. Lauryn Hill, num espetáculo que contará com a participação de Wyclef Jean, com quem fundou os Fugees em 1990, YG Marley e Zion, filhos da cantora.

No mesmo dia atuam também no festival, entre outros, Vince Staples, Bruno Pernadas, Raquel Martins, Sam The Kid, com Orelha Negra e Orquestra, Dry Cleaning, o projeto que junta Amaro Freitas, Criolo e Dino D`Santiago, Horse Meat Disco, Suchi e Mário Valente.

No domingo, dia em que o recinto volta a abrir às 14:30, o cartaz inclui Deftones, Turnstile, Peaches, Clipse (dupla composta pelos `rappers` Pusha T e Malice), Freddie Gibbs com The Alchemist, DJ Marfox, Nídia e O Ghettão, projeto que junta DJ Nigga Fox, DJ Danifox e DJ Firmeza, entre outros.

 

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