Conservador do Museu da Água expõe fotografia no Museu Nacional do Pão

"O Pão Sobre a Natureza - para além do comestível" é o título da exposição fotográfica de Pedro Inácio, conservador do Museu da Água, de Lisboa, hoje inaugurada no Museu Nacional do Pão, em Seia.

Agência LUSA /

A mostra, constituída por 34 trabalhos, insere-se no programa de exposições temporárias do museu e vai ficar patente ao público até 31 de Agosto.

O director cientifico do Museu Nacional do Pão, Sérgio Carvalho, explicou à agência Lusa que a exposição tem "um carácter artístico, mas também cultural e pedagógico", estando cada fotografia associada a um ditado popular que lhe seja adequado.

Assim, "Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", "Para crescer o filho, pão de milho", "Ano de muita chuva, muita casca e pouco pão" ou "Não há sábado sem sol nem domingo sem pão mole" são alguns dos rifões populares associados às fotos expostas.

Sérgio Carvalho perspectiva em 60 mil o número de visitantes que até Agosto vão estar na exposição, que disse ser uma iniciativa "para diversificar a estética das mostras até agora realizadas", designadamente as anteriores executadas em massa de pão "Brasões das capitais de distrito de Portugal" e "Bustos dos Reis de Portugal".

Na sua opinião, "a fotografia e artes visuais portuguesas sempre foram muito descuradas", citando como exemplo Manuel da Paz dos Reis, contemporâneo dos irmãos Lumière ou o fotógrafo Carlos Relvas.

"Isto tem a ver com os portugueses e com a sua cultura. Em Portugal há o preconceito de que as artes são a lírica e a literatura", comentou.

A escolha de Pedro Inácio para expor no Museu Nacional do Pão prende-se com o facto de ser um fotógrafo novo que realizou um trabalho conjugando a fotografia e a temática do pão.

O fotógrafo e conservador do Museu da Água, Pedro Inácio, referiu à agência Lusa que as fotos expostas (34) resultam de uma recolha superior a 200 trabalhos realizados na Serra da Estrela, Vendo Pinheiro, Pampilhosa da Serra/Fajão, Amares Alentejo (Monte da Pedra), Museu da Água e Lagos, em que "todo o pão representado foi escolhido a dedo tendo em conta a cor, a imagem, a forma".

Pedro Inácio, que realiza a sua primeira exposição individual, nasceu em Lisboa em 1960, é licenciado em Ciências Históricas pela Universidade Lusíada, mestre em Museologia e Património pela Universidade Nova de Lisboa e é actualmente conservador do Museu da Água da EPAL, em Lisboa, e membro da direcção da APOM-Associação Portuguesa de Museologia.

O seu interesse pela fotografia começou na década de 1970 por influência do irmão Carlos Inácio, realizou reportagens fotográficas para instituições públicas e privadas, e participou em exposições colectivas sendo a natureza um dos seus temas preferidos, segundo refere o catálogo da exposição.

Entretanto, a exposição "Bustos dos Reis de Portugal" em massa de pão vai estar patente de 12 a 16 de Maio na Exposição do Pão de Paris.

Assumindo um carácter itinerante, esta exposição, que foi inaugurada em 01 de Outubro de 2004 e encerrou a 31 de Março, vai percorrer o país designadamente em Lamego, Viseu e Perre/Vila Nova de Cerveira.

O Museu Nacional do Pão abriu ao público em Setembro de 2003 e, segundo Sérgio Carvalho, registou uma afluência de cerca de 300 mil pessoas, tornando-se um dos museus mais visitados do país.

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