Convento São Francisco, em Coimbra, quer ombrear com CCB e Serralves

Coimbra, 05 abr (Lusa) - O presidente da Câmara de Coimbra disse hoje que o Convento São Francisco, nesta cidade, quer ombrear com o Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, e Serralves, no Porto, apesar de ter um orçamento muito mais reduzido.

Lusa /

"Estamos aqui para ombrear" com o CCB e com a Fundação de Serralves, "sem falsas modéstias ou ambições desmedidas", afirmou Manuel Machado, considerando que estas duas instituições passam a contar com "mais um parceiro" e, em certos casos, "com um concorrente".

O autarca considerou que tal será possível, mesmo face à grande diferença de orçamentos entre o Convento e as outras duas instituições (o CCB tem uma verba estatal de 19 milhões de euros e Serralves tem um orçamento de oito milhões de euros para 2016).

Questionado pela agência Lusa sobre como é que o Convento poderá competir face às divergências na dimensão orçamental, Manuel Machado explanou que será "com engenho e arte. Melhor do que ter dinheiro é ter crédito", frisou.

Segundo o autarca, o Convento São Francisco, que reabre na sexta-feira depois de uma intervenção de 42 milhões de euros, é "um espaço contemporâneo notável".

"Ficamos felizes com o êxito do CCB ou Serralves, mas estamos para competir", assegurou o presidente da Câmara, durante a conferência de imprensa de apresentação do espaço e da sua programação cultural, que decorreu hoje à tarde no São Francisco.

Para o responsável, se CCB e Serralves "contribuíram" para notabilizar Lisboa e Porto, então o Convento "servirá para valorizar Coimbra como centro cultural que é há muitos séculos".

Quanto à possibilidade de uma estratégia partilhada com agentes culturais e autarquias da região, Manuel Machado disse que haverá "partilha e convite", não definindo que moldes serão seguidos para assegurar uma cooperação e ligação com a região.

"Não sou defensor de estratégia cultural. Eu considero isso um ato de certa heresia. Estratégia cultural é um determinismo, é um inibidor, um `controleiro` da cultura", frisou, considerando que aquilo que defende é "uma estratégia política", que impulsione a cultura e que sirva a sociedade.

A vereadora Carina Gomes assegurou que "a colaboração" com outros agentes e autarquias "não significa que tenha que haver convites formais", recordando que já há articulação em plataformas como as comunidades intermunicipais.

Os próprios agentes culturais de Coimbra já tinham referido à agência Lusa que o espaço, apesar de apresentar potencial, requer diálogo e conjugação de esforços, registando o facto de até agora não ter havido qualquer reunião que envolvesse a generalidade dos agentes culturais.

O espaço conta com um grande auditório com 1.125 lugares com fosso para orquestra sinfónica, um auditório na Igreja com capacidade para 600 pessoas, um "Welcome Center" para turistas, várias salas polivalentes, 1.600 metros quadrados de espaço expositivo, um restaurante, um café-concerto, um pátio interior com esplanada, uma praça frontal, quartos para residência artística e estúdios de ensaio.

Vários espaços ainda estão por abrir, decorrem ainda obras na Igreja e no estacionamento e a bilheteira online apenas deverá estar disponível no final desta semana ou no início da próxima.

De acordo com Manuel Machado, a reabertura, na sexta-feira e no sábado, com um espetáculo d`O Bando, ainda se insere numa fase de "testes", havendo "detalhes a aperfeiçoar".

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