Cópia rara da banda desenhada que apresentou ao mundo o Super-Homem vendida por 12,8 milhões de euros
Uma cópia rara da banda desenhada que apresentou ao mundo o Super-Homem, desaparecida durante 11 anos após ser roubada da casa do ator Nicolas Cage, foi vendida por um recorde de 15 milhões de dólares (12,8 milhões de euros).
O negócio privado anunciado na sexta-feira supera o preço recorde anterior de uma banda desenhada, estabelecido no passado mês de novembro, quando uma cópia do "Superman Nº 1" foi vendida em leilão por 9,12 milhões de dólares.
A venda do exemplar de Action Comics Nº 1 foi negociada pela Metropolis Collectibles/Comic Connect, com sede em Manhattan, que afirmou que o proprietário da banda desenhada e o comprador desejavam permanecer anónimos.
A banda desenhada, que custava 10 cêntimos quando foi lançada em 1938, era uma antologia de histórias sobre personagens que hoje, em grande parte, já são pouco conhecidos.
Mas em algumas partes, contava a história da origem do nascimento do Super-Homem num planeta moribundo, a sua viagem até à Terra e a sua decisão enquanto adulto de "transformar a sua força titânica em formas que beneficiem a humanidade".
A sua publicação marcou o início do género de super-heróis.
De acordo com o presidente da Metropolis Collectibles/Comic Connect, Vincent Zurzolo, exisem cerca de 100 cópias de Action Comics Nº 1.
"Este está entre o `Santo Graal` das bandas desenhadas. Sem o Super-Homem e a sua popularidade, não haveria Batman nem outras lendas das bandas desenhadas de super-heróis", disse Zurzolo.
"A sua importância na comunidade de banda desenhada é evidente com esta venda, pois pulveriza o recorde anterior", adiantou Zurzolo.
A banda desenhada foi roubada da casa de Nicolas Cage em Los Angeles em 2000, mas foi recuperada em 2011, quando um homem que tinha comprado o conteúdo de um antigo armazém no sul da Califórnia a encontrou.
Esta acabou por ser devolvida a Cage, que a tinha comprado em 1996 por 150.000 dólares.
Seis meses depois de lhe ser devolvida, ele vendeu-a em leilão por 2,2 milhões de dólares.
Stephen Fishler, CEO da Metropolis Collectibles/Comic Connect, disse que o roubo acabou por desempenhar um grande papel na valorização da banda desenhada.
"Durante esse período de 11 anos [em que esteve desaparecida], o seu valor disparou", afirmou Fishler.
"O ladrão fez Nicolas Cage ganhar muito dinheiro roubando-a", acrescentou.
Fishler comparou o exemplar à Mona Lisa, roubada do museu do Louvre em Paris em 1911: "Ela ficou guardada debaixo da cama do ladrão durante dois anos", observou Fishler.
"A recuperação da pintura fez com que a Mona Lisa passasse de ser apenas uma grande obra de Da Vinci para um ícone mundial - e é isso que a Action No. 1 é - um ícone da cultura pop americana", concluiu.