Coprodução portuguesa "A Noiva Difícil" premiada em Veneza pela crítica independente

Coprodução portuguesa "A Noiva Difícil" premiada em Veneza pela crítica independente

A longa-metragem "A Noiva Difícil", da cineasta Rubaiyat Hossain, uma coprodução com participação portuguesa, foi hoje distinguida com o Bisato d`Oro de Melhor Realização, atribuído pela crítica independente, presente no Festival de Cinema de Veneza.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O júri do prémio Bisato d`Oro, no anúncio da decisão, lembrou que "as mulheres e as estruturas sociais que moldam as suas vidas sempre foram centrais no cinema de Rubaiyat Hossain", acrescentando que, em "A Noiva Difícil", a cineasta "leva esta preocupação a um nível ainda mais surreal": "O corpo torna-se o centro do filme. E a certa altura esse mesmo corpo torna-se a fonte da resistência".

"A Noiva Difícil" tem direção de fotografia da cineasta Leonor Teles, já premiada em Cannes, participação de equipa técnica portuguesa e apoio financeiro do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

Segundo a produtora e distribuidora portuguesa Midas Filmes, em comunicado hoje divulgado, "A Noiva Difícil" foi "saudado como um dos filmes mais originais da Mostra deste ano", em Veneza, tendo sido "apresentado em várias sessões esgotadas sempre com grande sucesso", e com "o trabalho de Leonor Teles, como diretora de fotografia", a ser recorrentemente destacado pela crítica como "a mais importante de várias contribuições".

Esta produção une Portugal e Bangladesh, país de origem da realizadora, com França, Alemanha e Noruega.

Selecionado para a secção competitiva "Orizzonti" ("Horizontes"), dedicada a novas tendências do cinema, "A Noiva Difícil" é apresentado como um filme "de grande exuberância formal e tom jubilatório", que "retrata uma jovem mulher no processo de preparação do seu casamento", indica a Midas Filmes, que o coproduziu.

Depois de Veneza, "A Noiva Difícil" será apresentado nos festivais de Toronto, Londres, Tóquio e Viena, entre outros certames.

A estreia portuguesa está prevista para a primavera de 2027.

Ainda segundo a Midas Filmes, o próximo filme de Rubaiyat Hossain será rodado em Portugal.

O 83.º Festival de Cinema de Veneza, em Itália, teve início no passado dia 02 com a estreia de "Ink", de Danny Boyle, sobre a criação do tabloide britânico The Sun, de Rupert Murdoch.

Filmes como "It will happen tonight", de Nanni Moretti, "Bucking Fastard", de Werner Herzog, "A Bit of Light", de Ali Asgari, descrito como "filme doloroso sobre os opositores ao regime iraniano", e o documentário "Naza", dos israelitas Yuval Abraham e Rachel Szor, apresentado como denúncia dos "métodos de Israel de extermínio deliberado de civis palestinianos em Gaza", têm-se destacado na sua programação.

Na estreia em Veneza, na quinta-feira, "Naza" ("danos colaterais" na gíria militar) teve uma ovação de 25 minutos, do público presente, como relataram agências internacionais de notícias.

A programação do festival, que termina no sábado com anúncio dos vencedores, incluiu ainda a exibição do filme "Udju Azul di Yonta" ("Os Olhos Azuis de Yonta"), do realizador guineense Flora Gomes, na secção Clássicos, numa versão restaurada pela Cinemateca Portuguesa.

Nos eventos paralelos, o realizador Pedro Costa recebeu, no fim de semana de abertura, o prémio italiano de cinema Robert Bresson, atribuído pela Fondazione Ente dello Spettacolo, com o patrocínio da Santa Sé.

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