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Cornucópia regressa a Shakespeare com "Júlio César" no S. Luiz

Cornucópia regressa a Shakespeare com "Júlio César" no S. Luiz

O Teatro da Cornucópia vai voltar a representar Shakespeare, com a estreia a 21 de Março de "A Tragédia de Júlio César", numa co-produção com o Teatro Municipal de São Luiz, em Lisboa.

Agência LUSA /

Esta é a sexta vez que o grupo liderado por Luís Miguel Cintra leva à cena um texto de William Shakespeare e vai fazê-lo sem truncar o original, sem eliminar cenas ou suprimir personagens, num espectáculo que se prolongará por três horas e meia.

"Eu gosto das peças de Shakespeare tal como são, grandes, enormes", disse à Lusa Luís Miguel Cintra, encenador e intérprete desta tragédia.

"O que agora é costume fazer-se é, sem qualquer espécie de delicadeza, respeito ou amor ao texto original, truncar os textos de Shakespeare, tirar-lhes personagens, cenas para caber naquilo que mais convém ao mercado do espectáculo e às condicionantes da produção. Acho que isso tira grande parte do interesse da peçaÓ" apontou o actor.

A tragédia de Júlio César fala da tirania, das lutas pelo poder, da responsabilidade pública e da tensão entre política e moral.

O povo quer coroar Júlio César imperador. Começa a conspiração no seio dos que o rodeiam e num dia dos "idos" de Março, o assassínio do general ocorre em pleno Senado.

Para o encenador, "Júlio César é uma peça eminentemente política, que está a meio caminho entre a crónica histórica e a tragédia e consegue ser as duas coisas".

"A tragédia que a peça retrata é a de como conseguir viver num sistema político já em decadência. Toda a gente sente que nós de certa maneira também vivemos num sistema político em decadência, as pessoas não vivem felizes, vivem mal", criticou Cintra, ao sublinhar a actualidade de um texto escrito no início do século XVII.

"O que é interessante para o público contemporâneo é ver como noutras épocas, os mesmos problemas são vistos de outra maneira e creio que isso nos ajuda a pensar sobre a nossa época", adiantou.

Mas não se pretende criar a ilusão de que todo o espectáculo se passa na Roma antiga. "Não quisemos reconstituir isso", explicou Cintra, lembrando que as personagens não estão vestidas fielmente ao estilo romano.

"Há, digamos, elementos no cenário e vestuário que recordam esse tempo e que como que indicam ao espectador: `isto é uma história que se passou naquela época`, mas também temos muitos anacronismos, o desenho do cenário é contemporâneo, estilizado", acrescentou.

Na preparação do espectáculo, houve a preocupação de "destruir a distanciação" que existe entre o público e o palco.

O palco do São Luiz foi alargado às primeiras filas, há também alguma acção que se passa na própria sala e vai haver música ao vivo.

Um percussionista, um trompetista e um guitarrista vão interpretar música escrita por um autor contemporâneo, para recriar aquilo que se fazia na época de Shakespeare.

"Shakespeare contava com isso (música) para fazer avançar a acção, para criar a ilusão, por exemplo, de uma entrada triunfal ou de um campo de batalha", notou Cintra.

Na peça, que será apresentada até 22 de Abril, o actor vai fazer o papel de Júlio César, ou seja, estará em palco só metade do espectáculo, quando é "assassinado".

"Seria extremamente difícil ter um papel de mais responsabilidade porque se trata de gerir um elenco muito grande", considerou.

Em palco vão estar 23 actores (21 homens e duas mulheres), com nomes como Luís Lima Barreto, José Manuel Mendes, Luís Lucas, Nuno Lopes, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Teresa Sobral e Pedro Lamas, além do próprio Cintra.

As personagens centrais são feitas por um único actor, os outros actores fazem vários papéis.

O cenário e figurinos são de Cristina Reis.

Depois desta co-produção com o São Luiz, a Cornucópia vai retomar uma peça que teve grande êxito na temporada passada, "A Gaivota", de Tchékhov, que estará duas semanas em cena em Almada e depois será apresentada até finais de Junho no teatro do Bairro Alto.

A partir de Setembro, a companhia estreia uma peça de Ibsen, "Solness, o construtor".

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