Corpo do escritor em câmara ardente em Lisboa
O corpo do escritor José Saramago, que ontem faleceu aos 87 anos na sua casa em Lanzarote, já está no Salão Nobre dos Paços do Conselho de Lisboa em câmara ardente. A urna coberta pela bandeira nacional foi recebida ao som de uma salva de palmas de alguns populares que se encontravam na Praça do Município. O funeral está marcado para as 12h00 de domingo no cemitério de São João onde Saramago será cremado.
No exterior dos Paços do Concelho, estão dois cartazes com a fotografia de José Saramago, onde pode ler-se: "Obrigado José Saramago".
O corpo do prémio Nobel da Literatura chegou ao aeroporto de Figo Maduro cerca das 13h30, num caixão coberto com a bandeira nacional, a bordo de uma avião militar C-295 enviado, sexta-feira, pelo Governo português.
A bordo do avião vieram também Pilar del Rio, a filha do escritor Violante de Matos, a ministra portuguesa da Cultura, Gabriela Canavilhas, e ouros onze familiares e amigos do escritor, entre os quais a empregada doméstica do casal, Pastora Camacho Rodriguez.
Recorde-se que Gabriela Canavilhas e Violante de Matos tinham seguido, sexta - feira, no mesmo avião para ir buscar o corpo de José Saramago a Lanzarote, no arquipélago espanhol das Canárias, onde este residia desde 1992 com Pilar del Rio.
À chegada ao aeroporto de Figo Maduro, o caixão com os restos mortais de José Saramago, estavam os seus dois netos, o seu editor Zeferino Coelho, o ministro da Administração Interna, os secretários de Estado da Defesa, da Cultura e dos Negócios Estrangeiros.
Aguardavam igualmente a chegada do avião, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, e outros dirigentes do partido comunista do qual Saramago era militante, além de vários amigos do Nobel da Literatura, entre os quais a escritora Alice Vieira.
Dúvidas sobre as cinzas O corpo de José Saramago estará em câmara ardente nos Paços do Concelho de Lisboa até às 00h00 de sábado, reabrindo o Salão Nobre às 09h00 de domingo. Cerca das 12h00 o cortejo fúnebre sairá da Praça do Município em direcção ao cemitério de São João onde será cremado.
A grande duvida que persiste é onde serão depositadas as cinzas do único prémio Nobel da literatura em língua portuguesa. Existe a possibilidade de ficarem todas em Azinhaga do Ribatejo, ou de serem divididas entre a sua terra natal e o jardim da sua casa de Lanzarote.
Antes de morrer o escritor transmitiu à sua mulher, Pilar del Rio, o local onde queria que as suas cinzas ficassem, mas para já existe uma grande dúvida sobre o assunto.