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Criado em Foz Côa novo roteiro transfronteiriço robusto para arte rupestre europeia

Criado em Foz Côa novo roteiro transfronteiriço robusto para arte rupestre europeia

Vila Nova de Foz Côa, Guarda, 14 mar (Lusa) - Portugal, Espanha e França uniram-se hoje, no Museu do Côa, através de um protocolo, com o objetivo de criar um "itinerário europeu robusto" dedicado à arte rupestre de sítios tão distritos como Altamira, Lascaux, Vale Côa e Siega Verde.

Lusa /

"Este protocolo serve para abrir o diálogo sobre arte rupestre, entre os poderes políticos dos três países envolvidos nesta ação. Ao mesmo tempo, pretendemos que os técnicos que trabalham na arte rupestre de Portugal, Espanha e França possam partilhar conhecimentos e experiências para se ganhar escala a nível europeu, no sentido de criar um verdadeiro itinerário cultural europeu robusto", disse à Lusa o presidente da Fundação Côa Parque, Bruno Navarro.

A ideia, agora firmada, servirá, de acordo com as partes envolvidas, para atrair cada vez mais turistas a cada uns dos sítios arqueológicos e captar fundos europeus.

"Estamos a falar de três regiões europeias como a Cantábria (Espanha), a Dordonha (França) e o Vale do Côa (Espanha e Portugal), que têm muito em comum, como a sua classificação e reconhecimento por parte da UNESCO, ou a sua raiz agrícola, onde o património pode servir de porta de entrada para uma cooperação, não só cultural, mas também turística e económica", frisou o responsável pelo Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Agora, o trabalho a desenvolver nestes três sítios arqueológicos da arte rupestre, passará para a esfera transfronteiriça, num programa já aprovado por Portugal e Espanha, ao qual França se junta agora.

Do lado espanhol, o diretor geral do Património Cultural de Castela e Leão, Enrique Saiz, destacou à Lusa que há boas experiências que no respeita ao trabalho transfronteiriço, como é caso da cooperação do Parque Arqueológico do Vale do Côa e o Sítio Arqueológico de Siega Verde, que é o único sítio de arte classificado pela UNESCO em território raiano.

"Estamos muitos entusiasmados, em trabalhar em conjunto, com sítios mundialmente conhecidos da arte rupestre europeia, como é Altamira ou Lascaux, sendo importante o convivo cultural nesta matéria, o qual é muito valorizado pela própria UNESCO", vincou o responsável castelhano.

Para o responsável, este tipo de ação pode trazer desenvolvimento a estes territórios transfronteiriços, aos mais diversos níveis, económicos e culturais.

"A cultura e a arte podem ser modelos alternativos de desenvolvimento face aos polos industriais que proliferam por toda a Europa", observou.

O conselheiro de Cultura do Governo de Cantábria (Espanha) Francisco Fernandez Manhanes destacou que este caminho foi iniciado pelas regiões de Dordonha e Cantábria, dado o seu potencial ao nível de arte rupestre, mas sempre conscientes de que seria necessário juntar mais parceiros.

"O nosso objetivo é criar uma rede europeia de arte rupestre, à qual se vão juntar outras regiões, como as Astúrias. É importante este intercâmbio europeu, já que há uma aprendizagem comum para todos estes territórios", observou o conselheiro.

Para os especialistas que hoje trocaram experiências no Vale do Côa, a partilha de recursos humanos e a motivação de novas gerações para o tema da arte rupestre europeia, é outro dos motivos desta nova etapa cultural.

"Pretendemos criar campos de trabalho para jovens vinculadas à restauração da arte rupestre europeia e peninsular", especificou Francisco Fernandez Manhanes.

Para a delegação francesa presente na Cimeira Internacional do Vale do Côa, representada pelo presidente do Conselho Departamental da Dordonha, Germinal Peiro, trata-se de um protocolo importante para Laucaux, que, apesar de ser um sítio importante da arte rupestre, não pode trabalhar sozinha.

"Ao trabalhar em conjunto três países da Europa, estamos ao mesmo tempo a trabalhar em conjunto para o mundo", enfatizou.

Três países europeus, com sítios da arte rupestre classificados pela UNESCO, partem agora para novas descobertas, em territórios transfronteiriços de Portugal, Espanha e França.

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