Crianças portuguesas entre as personagens do musical "Miss Saigão"
Seis crianças portuguesas vão integrar o elenco do musical Miss Saigão, que estreia dia 17 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, depois de ter estado na Broadway e no West End londrino durante uma década, revelou a produtora.
O musical, que chega a Portugal através da UAU Produções, conta a história de amor entre Chris, um soldado americano, e Kim, uma jovem vietnamita, da qual resulta uma criança, de seu nome Tam, que ainda não nasceu quando o pai regressa aos Estados Unidos.
Em todos os países onde o musical tem sido apresentado a criança que representa o papel de Tam é escolhida localmente, pelo que decorreu durante o mês de Dezembro um "casting" em Lisboa para escolher quem interpretaria a personagem no Coliseu dos Recreios.
O "casting" decorreu no Teatro Villaret com o apoio do Conservatório de Dança de Lisboa, Agência Tripé Visual, Estúdio Etc e Escola da Comunidade Chinesa em Lisboa.
A escolha ficou a cargo de Mavis Gaffney e Satya Ogilvy, respectivamente a responsável pelo elenco infantil e a directora geral de produção de Miss Saigão, tendo sido seleccionadas oito crianças entre os quatro e os seis anos de idade.
Dessas oito crianças, "que esta terça-feira vão fazer a sua primeira visita ao Coliseu dos Recreios para conhecerem o espaço onde vão ensaiar e actuar", seis ficarão efectivas nos espectáculos a realizar em Lisboa, adiantou a produtora.
No entanto, os meninos e meninas vão rodar numa escala semanal, ou seja, cada criança actuará de seis em seis representações, contando com a presença dos pais na sala de espectáculo e o apoio de Mavis Gaffney nos bastidores.
O elenco final de seis crianças será decidido a 14 de Janeiro, após os ensaios com a companhia e a três dias do início do espectáculo, que estreia dia 17 e ficará em cartaz pelo menos até ao início de Fevereiro.
"Miss Saigão" estreia em Lisboa cerca de ano e meio depois de um outro musical, "Cats", de Andrew Lloyd Weber, ter conquistado 115 mil espectadores, e será apresentado na sua versão original legendada em português.
Estreado em 1989, o musical, que conseguiu estar mais de dez anos consecutivos em cena, foi escrito por Alain Boublil e Claude Michel Schonberg, que se inspiraram em "Madame Butterfly", e foi visto por cerca de 31 milhões de espectadores em todo o mundo.
Para Rita Duarte, da UAU Produções, o bom acolhimento de "Miss Saigão" deve-se ao facto de contar "uma história de amor em tempo de guerra que, apesar de se desenrolar no Vietname [da década de 70], poderia ocorrer em qualquer outro palco de conflito actual".
No musical, o romance entre os protagonistas é abruptamente interrompido quando, em 1975, as tropas do Vietname invadem a embaixada americana em Saigão e os soldados dos EUA são transferidos de emergência, sendo Chris obrigado a partir sem Kim.
Baseado em factos reais, "Miss Saigão", um dos três musicais mais lucrativos de sempre, resulta de uma cadeia de influências de que "Madame Butterfly", que John Lutter Long publicou em 1897 na Century Magazine, é apenas um elo.
A história de Lutter Long - que poderá ser inspirada na novela "Madame Chrysantheme", escrita pelo oficial da marinha francesa Pierre Loti, que tivera um breve casamento com uma gueixa de Nagasaki - levou à criação da peça "Madame Butterfly" pelo dramaturgo David Belasco.
A peça que Belasco criou com base no texto de John Lutter Long estreou em Nova Iorque em 1900 e foi seguidamente levada para Londres, tendo estreado no Duke of York`s Theatre.
Puccini, que se encontrava em Londres para a estreia de "Tosca", foi ver a peça e apercebeu-se do seu potencial como ópera, pelo que, a 17 de Fevereiro de 1904, "Madame Butterfly, de Puccini, estreou no La Scala de Milão.
Alain Boublil e Claude-Michel Sch¸nberg, os autores de "Miss Saigão", partiram de uma fotografia tirada algumas semanas antes da queda de Saigão, na qual uma mulher oferecia o filho no aeroporto da cidade, na esperança de que este tivesse uma nova vida na América.
Foi essa imagem que conduziu os dois autores do musical à história de "Madame Butterfly" e, recuando mais, à de "Madame Chrysantheme", acabando por os levar a escrever a sua própria versão da história de amor.