Curso de história do cinema aborda declínio do cinema europeu.

O declínio do cinema europeu é um tema a abordar num curso de história do cinema, dirigido pelo realizador António Pedro Vasconcelos, que decorrerá entre final de Maio e início de Junho na Figueira da Foz.

Agência LUSA /

"Aborda a perspectiva de como as coisas evoluíram. Porque é que o cinema americano tem hoje a importância que tem e porque é que o cinema europeu ficou completamente para trás", disse hoje aos jornalistas António Pedro Vasconcelos.

O curso, promovido pelo cine-clube local e pela empresa municipal Figueira Grande Turismo (FGT), decorre entre 25 a 28 de Maio e 02 a 05 de Junho, no Centro de Artes e Espectáculos local.

Abrange filmes realizados entre 1915 e 1963 e integra ainda palestras proferidas pelo realizador português, após a exibição de cada obra.

O curso inclui clássicos como "O Nascimento de Uma Nação" (1915), filme pioneiro da história do cinema, ao nível técnico e plástico, que retrata a guerra da Secessão Americana, ou "O Couraçado Potemkine" (1925), encomendado ao realizador Sergei Eisenstein pelo governo soviético, para comemorar os 20 anos da revolução de 1905.

No total serão exibidas duas colectâneas e dez filmes, de que se destacam, entre outros, "O Mundo a Seus Pés (Citizen Kane)", obra- prima de Orson Welles, realizada em 1941 e considerado um dos melhores filmes de todos os tempos.

"Casablanca" (1942), "Há Lodo no Cais" (1954) ou "Oito e Meio", de Fellini (1963), serão igualmente exibidos.

As sessões do curso contam ainda com o que António Pedro Vasconcelos definiu como "uma primeira experiência", já que pretende mostrar extractos de 32 filmes, de realizadores como Hitchcock, Bunuel ou Preminger, entre dezenas de outros, comentados pelo realizador e destinados a "estimular" os participantes.

"Vamos mostrar extractos de filmes e trabalhar a partir daí para mostrar as etapas mais importantes da história do cinema. Mas não gostaria que fosse uma coisa de cátedra", disse.

Questionado pelos jornalistas sobre o sucesso do cinema dito comercial sobre o cinema de autor, o realizador considerou tratar-se de "uma dicotomia falsa que é preciso combater".

"É como dizer que Spielberg não é autor, goste-se ou não dele.

É essa dicotomia que leva o cinema de autor ao desastre", disse.

Para António Pedro Vasconcelos, a questão está na relação entre os Estados Unidos e a Europa, mas também em aspectos económicos e financeiros.

"Hoje os EUA dominam o cinema mundial à escala planetária, aliás dizer cinema americano é um pleonasmo. Têm 80 por cento do mercado europeu, é a maior indústria de exportação americana", sublinhou.

"Já o cinema europeu condenou-se a ficar fechado nos seus mercados nacionais. Pára nas fronteiras dos países, nem sequer é autárquico, é um cinema de aldeia", ironizou.

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