Daniel Sousa, candidato aos Óscares com filme "Feral", tenta lidar com atenção mediática

| Cultura

O realizador português Daniel Sousa sente-se lisonjeado pela atenção mediática das últimas semanas por causa de "Feral", a curta-metragem de animação candidata aos Óscares, que demorou sete anos a fazer, disse à agência Lusa.

A nomeação de "Feral" para os Óscares - cuja cerimónia acontece no domingo - deu mais protagonismo a Daniel Sousa, um realizador português nascido em Cabo Verde em 1974, atualmente radicado nos Estados Unidos, que divide o tempo entre a realização, a produção e o ensino.

Antes de chegar aos Óscares, a curta-metragem já passara por cerca de quarenta festivais de cinema e recolhera vários prémios internacionais, incluindo um galardão no Cinanima, de Espinho.

Com animação em 2D e a preto e branco, "Feral" - que será exibido no domingo, na RTP2 - conta a história de um menino selvagem, que se tenta adaptar à civilização, depois de ter sido encontrado num bosque, onde cresceu.

"Feral" tem 13 minutos e demorou sete anos a fazer. Daniel Sousa explica que queria "explorar os conflitos interiores do intelecto e do instinto, a sensação de alienação que uma criança sente quando é exposta a um ambiente novo, e a necessidade de se sentir integrado".

Foi na mitologia e nos contos de fadas que encontrou o melhor terreno para explorar essa ideia, disse.

Nas vésperas da cerimónia, Daniel Sousa diz que ainda é cedo para perceber qual o efeito que a nomeação tem na sua carreira como produtor e realizador: "Têm sido feitos alguns contactos novos que quero perceber no que vão dar. Por agora a grande diferença é que a minha vida, de repente, foi inundada de mensagens eletrónicas e pedidos de entrevista".

"Não estou habituado a isso, sendo um pequeno produtor independente, mas definitivamente é lisonjeiro", admitiu.

O realizador formou-se na Rhode Island School of Design, onde dá aulas, depois de já ter lecionado na Universidade de Harvard e no Art Institute de Boston.

Antes de "Feral", Daniel Sousa assinou as curtas-metragens de animação "Minotaur", "Fable", "The windmill" e "Drift".

Daniel Sousa, que viveu até à adolescência em Portugal, diz que as primeiras memórias do cinema remontam ao tempo em que ia ver o "Super-Homem", com Christopher Reeves, em Lisboa.

"Recordo-me de ficar com as cores, o tamanho do ecrã e com toda a experiência. Na altura não sabia que iria acabar por ser realizador, mas sabia que queria criar imagens, fosse através da banda desenhada, da pintura ou da ilustração".

Daniel Sousa já tem financiamento para o próximo projeto no cinema, que espera desenvolver em 2015. Por ora, a prioridade será um outro desafio: a paternidade.

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