De Coimbra para o mundo, Wraygunn tocam "blues" com horizontes largos

De Coimbra para o mundo, Wraygunn tocam "blues" com horizontes largos

A Europa e o resto do mundo estão na mira dos Wraygunn, uma banda de Coimbra que já conquistou os franceses com uma música cuja raiz são os blues, mas atravessa fronteiras geográficas e de género.

Agência LUSA / Adicionar como fonte informativa

Para assinalar o sucesso "lá fora", materializado nos concertos em França e noutros países europeus e no destaque dado pelas revistas "Rock & Folk" e Rolling Stone ao disco de 2004, "Ecclesiastes 1.11", o álbum é agora reeditado em formato "caixa" com o bónus de "Soul Jam", o registo de 2001.

No horizonte da banda estão concertos em Inglaterra em Outubro, numa tentativa de entrar num mercado assumidamente "mais complicado", embora os Wraygunn tenham os Estados Unidos e o Japão como outros alvos para espalhar a sua música.

Em entrevista à Agência Lusa, o vocalista e guitarrista Paulo Furtado e a vocalista Raquel Ralha colocaram a música dos Wraygunn nas "zonas de fronteira" entre vários géneros, misturando blues, rock, soul, espirituais, funk e até hip-hop, mas sem se prender a um.

O espírito da música e da banda está bem presente no início de "Soul City", o primeiro tema de "Ecclesiastes 1.11", que começa com a voz de Martin Luther King apelando a que a "liberdade ressoe", num excerto do discurso mais emblemático do líder e activista negro.

O nome da banda junta o apelido do pioneiro guitarrista Link Wray e o nome do detective fictício Peter Gunn, protagonista de uma série de televisão cuja banda sonora foi composta por Henri Mancini.

Para Paulo Furtado, o percurso que levou aos Wraygunn e ao seu outro projecto a solo, Legendary Tiger Man, passa "obrigatoriamente" pela América, onde esteve em digressão em 1999 com os Tédios Boys, lendária banda de Coimbra que deu origem a outros projectos actuais, como os Bunnyranch e os D3Í.

O músico abraçou os "blues" após ter "aprendido muita coisa" com guitarristas com que se cruzou na jornada pela América, da qual regressou com "novas técnicas e inspiração".

"Mudou o modo como eu tocava guitarra e os +blues+ lentamente tomaram conta do meu lado criativo. Foi uma viragem", recorda.

Todos os elementos dos Wraygunn trazem "influências diferentes", que no primeiro álbum, "Soul Jam", se fundiram num "som próprio, por direito", que dá a banda o direito a ser "uma palavra a dizer" no panorama musical nacional.

Raquel Ralha, conhecida por fazer parte dos Belle Chase Hotel e Azembla+s Quartet, traz "um ambiente mais exótico, colorido e engraçado", participando em vários "diálogos" de voz com Paulo Furtado e dando outros ambientes às faixas que vocaliza sozinha.

Uma mistura que agradou à revista francesa "Rock & Folk", que fez de "Ecclesiastes 1.11" o seu "disco do mês" de Junho, elogiando os Wraygunn pela "visão musical que propõem, sem fronteiras fortificadas".

A edição francesa da histórica "Rolling Stone" incluiu também um tema dos Wraygunn num CD oferecido com a revista, que caracteriza "Keep On Prayin" como um exemplo de "rock quente e festivo".

Muitas das primeiras impressões do público francês eram de estranheza perante o tipo de música dos Wraygunn e a sua origem portuguesa, recordam Paulo Furtado e Raquel Ralha.

No entanto, a "tradição rock n+roll" mais viva em França graças a ídolos como Johnny Halliday garantiu à banda uma audiência "dos 16 aos 60 anos", que acabou por se lhes render, tal como os públicos holandês, belga, suíço ou canadiano que já tiveram oportunidade de os ver e que abordam sempre "com confiança".

A boa recepção em França potenciou também a atenção dada aos à banda em Portugal, o que "não é desagradável" para Paulo Furtado, que se congratula com a reacção à digressão que os WrayGunn fizeram com os X-Wife em várias cidades nacionais, em que sentiu que "o público vinha mesmo ver as bandas", num ambiente muito diferente das "latadas, festivais de juventude ou concertos de Câmaras." Para o futuro mais próximo, a agenda dos Wraygunn está bastante preenchida com concertos, incluindo em Inglaterra, no festival Atlantic Waves, pelo que novas gravações deverão ser adiadas até 2006.

Na "frente" Legendary Tiger Man, em que sozinho em palco procura e explora "energias diferentes", Paulo Furtado deverá gravar novo álbum no fim do ano, e, entretanto, comporá uma banda sonora.

O próximo concerto dos Wraygunn será no dia 27, no festival Ritual Rock, no Porto, em que serão cabeças-de-cartaz, com tempo de concerto suficiente para gerar a "combustão" que caracteriza as apresentações ao vivo da banda, completa com Pedro Pinto e João Doce na bateria e percussão, Sérgio Cardoso no baixo e voz e Francisco Correia no gira-discos e sampler.

Inglaterra, Estados Unidos ou Japão são outros destinos a que a banda aspira chegar, aplicando à carreira os "horizontes mais vastos que as fronteiras" que também valem para a sua música.

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