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De Fra Angélico a Bonnard, cinco séculos no Museu Nacional Arte Antiga

De Fra Angélico a Bonnard, cinco séculos no Museu Nacional Arte Antiga

O Museu Nacional de Arte Antiga expõe a partir de quinta-feira ao público 95 obras de grandes mestres da pintura europeia dos séculos XV ao XX, entre as quais as do renascentista Fra Angélico, pela primeira vez em Portugal.

Agência LUSA /

Ao longo de cinco alas, a exposição apresenta um conjunto de pinturas seleccionadas a partir de uma grande colecção privada e rara do médico e filantropo Dr.Gustav Rau.

"Grandes Mestres da Pintura: De Fra Angélico a Bonnard" é o tema da exposição, hoje apresentada aos jornalistas, e que se divide em duas grandes áreas: a primeira até ao século XVIII e a segunda a partir daí até ao século XX, explicou a directora do museu, Dalila Rodrigues.

As 46 obras do século XV ao XVIII estão distribuídas pelas "escolas italiana, flamenga, holandesa, alemã, francesa, espanhola e britânica e são criações de mestres como Fra Angélico, Bernardino Luini, António Solário, Guido Renni, Canaletto, Cranach ou El Greco.

As restantes 49 pinturas são especialmente demonstrativas de movimentos artísticos e autores dos séculos XIX e XX, como Corot, Courbet, Cézanne, Manet, Degas, Monet, Renoir, Pissarro, Sisley, Lautrec ou Bonnard.

Num périplo pela galeria de exposições temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), a mostra revela o arco cronológico em que se inscrevem as obras, começando com um espaço consagrado às obras "De Fra Angélico a El Greco, séculos XV/XVI".

Nesta ala é possível contemplar de um lado pinturas do Norte da Europa e do outro da zona da Europa Meridional, entre as quais se destaca "São Domingos em Oração", da autoria de El Greco, um pintor que a directora do Museu acredita estar exposto em Portugal também pela primeira vez.

Mas a obra escolhida por Dalila Rodrigues para a abertura da exposição é "Retrato de uma jovem" (1525), uma tela que durante muito tempo se atribuiu a Leonardo Da Vinci, mas que em meados do século XIX foi atribuída ao verdadeiro autor, Bernardino Luini, um grande seguidor de Da Vinci que usava a mesma técnica de pintura.

A segunda ala apresenta obras dos "Países Baixos, Itália e França, Século XVII" e a terceira expõe pinturas dos séculos XVII ao XVIII, sob o tema "Paisagens e Veduta Ruína", onde se inclui uma pintura de Bernardo Bellotto, "A Torre de Marghera", na qual sobressai a luz característica da pintura veneziana desde o Renascimento.

A última ala desta primeira fase dedicada a obras até ao século XVIII é consagrada aos "retratos".

A partir daí, o museu abre espaço para obras dos séculos XIX e XX, representativas do Impressionismo, Simbolismo e Nabis, do Fauvismo e do Expressionismo.

O visitante começa assim por obras de Monet, como "As Pirâmides de Port-Coton", uma pintura "muito forte" e emblemática do impressionismo, por transmitir a quem a vê "não a realidade, mas uma impressão da realidade", sublinhou Dalila Rodrigues.

A Manet, outro impressionista, é dedicado um espaço só com retratos, o tema que ele mais pintou no final da vida, e de Renoir é apresentado o famoso "Busto de Mulher" ou "Mulher com Rosa".

Ainda entre os impressionistas, contam-se uma obra de Degas, um retrato com um sombreado vermelho à volta dos olhos, em que o pintor transmite o seu "sentimento de dilaceração" por estar a perder a visão, e também uma pintura de Signac, com o seu típico pontilhismo.

Seguem-se as obras dos fauvistas, com as suas pinceladas fortes, como Maurice de Vlaminck ou André Derain, e os expressionistas, entre os quais Emmanuel Mané-Katz com um retrato de Sum judeu em que o cromatismo ganha uma qualidade quase delirante", salienta Dalila Rodrigues.

A "Janela aberta em Uriage", de Pierre Bonnard, fecha esta exposição, que "ficará como marco da dimensão internacional que pode ter um museu português", considerou a responsável.

Para Dalila Rodrigues, esta foi uma mostra dimensionada às expectativas do público, que espera poder ver em Portugal exposições como as que visita em museus no estrangeiro.

"à semelhança do que tem acontecido com outros museus, o MNAA foi perdendo visibilidade e protagonismo e a programação ficava aquém das expectativas do público", considerou.

Com esta mostra, a directora do museu tem uma expectativa de cem mil visitantes, mas revela-se confiante de que esse número será ultrapassado.

Dalila Rodrigues salientou que a exposição só foi possível graças ao mecenato, mas escusou-se a dizer em quanto ficou orçada.

A mostra estará patente ao público até dia 17 de Setembro e será inaugurada quinta-feira, Dia Internacional de Museus, este ano dedicada aos jovens, razão por que a responsável optou por organizar, a seguir à inauguração, às 18:00, uma festa no jardim até às 03:00 da madrugada.

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