De Lenine para Nootti. Rebatizado museu sobre relações entre Finlândia e Rússia

De Lenine para Nootti. Rebatizado museu sobre relações entre Finlândia e Rússia

Na Finlândia, abriu portas em fevereiro um museu chamado Nootti. Retrata como os laços com a vizinha oriental, a Rússia, passaram de frios a amigáveis e vice-versa. O "Nota Diplomática" nasce da renovação do que era até agora o último Museu Lenine da Europa ocidental. Esta atualização foi desencadeada pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.

Carla Quirino - RTP / Adicionar como fonte informativa
Estátua de Lenine dentro do Museu Nootti em Tampere Alessandro Rampazzo - AFP

O antigo Museu Lenine em Tampere, inaugurado em 1946 como símbolo da amizade finlandesa-russa, foi rebatizado durante o terceiro ano da guerra na Ucrânia. Fechou portas em novembro passado e reabriu como Nootti.

Entre museu de História Política e museu de Relações Orientais, Nootti, do filandês, significa "Nota Diplomática". É o primeiro museu especializado na longa história das relações orientais e abriu portas em Tampere, uma cidade a 180 quilómetros a norte de Helsinquia.

Retrata as ligações  finlandesas e russas desde a independência de 1917 até à atualidade.
Adeus Museu Lenine 
O Museu Finlandês Lenine estava entre os últimos de diversos de museus dedicados ao ex-líder soviético Vladimir Lenine que foram estabelecidos em toda a Europa no século XX. Inaugurada em 1946, após a II Guerra Mundial, a instituição foi concebida como um símbolo da amizade do pós-guerra.

O museu Lenine foi instalada no edifício onde Lenine e Estaline se encontraram pela primeira vez como jovens líderes comunistas. Tornou-se também sede para reuniões diplomáticas entre líderes políticos finlandeses e russos e vários líderes soviéticos, durante a Guerra Fria.

Perante o atual contexto internacional, desde logo as tensões fronteiriças, após a Finlândia se tornar membro da NATO, a direção do museu alegou que se impunha uma "atualização" e assim ficou decidido a criação de um equipamento "totalmente novo".
 
O Nootti oferece aos visitantes uma viagem única através da história política durante o século XX e XXI sem esquecer a adesão da Finlândia à NATO | Museu Nootti

A Finlândia partilha 1.330 quilómetros de fronteira com a Rússia. Atualmente esta encontra-se fechada, depois de Helsinquia ter acusado Moscovo de uma “operação híbrida” envolvendo requerentes de asilo, o que o Kremlin negou.

Kalle Kallio, diretor do museu, argumentou como nos últimos anos, nomeadamente os da guerra na Ucrânia, o nome Lenine se tornou "um fardo".

“Durante os últimos três anos, descobriu-se que este museu que já não era uma marca muito boa. As pessoas não entendiam o papel do museu e o nome tornou um fardo. Por isso decidimos fechar o museu e construir um totalmente novo e continuar sob um novo nome: Nootti”, sustentou.
A nota diplomática de Nootti
O responsável desta nova museologia afirma que o espaço pretende contar histórias finlandesas e russas.
 
Na narrativa expositiva do Nootti são mostrados diversos episódios da história das afinidades e afastamento dos dois países. Entre os temas estão retratados os temas como o colapso do império russo em 1917 e a independência da Finlândia, as guerras civis em ambos os lados da fronteira, o destino dos finlandeses soviéticos durante o terror de Stalin, a guerra de inverno, a aliança finlandesa com Hitler, a guerra fria, a “Finlândia”, os serviços secretos, o comércio bilateral, as relações culturais e o turismo dos anos 1950 e a preparação para a Finlândia se juntar à NATO em 2023.

“Se olharmos para a história finlandesa e os nossos momentos-chave na história durante os últimos 150 anos, é impossível entendê-los sem entender a história russa também”, sublinha Kallio. “As nossas histórias estão claramente entrelaçadas”.

 “As relações entre a Finlândia e a Rússia sempre estarão lá. Não sabemos que tipo de relações serão, mas haverá relações e estamos muito certos de que haverá uma nova história a ser escrita a qualquer momento", rematou. 
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