Dejà Lu, livraria solidária a favor de uma causa social, é inaugurada dia 28 em Cascais

A Dejà Lu, uma livraria de caráter solidário, onde a venda de todos os livros reverterá para uma causa social - apoio à integração profissional de jovens com trissomia 21 -, é inaugurada no dia 28, na Cidadela de Cascais.

Lusa /

Francisca Prieto, fundadora da livraria, explicou à agência Lusa que a Dejà Lu começou por ser um blogue, criado em 2011 para leiloar livros usados - ou melhor, lidos -, com o objetivo de angariar verbas para a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21.

"Comecei por pedir a amigos para que dessem livros. Arranjei meia dúzia de sítios onde as pessoas podiam deixar os livros para depois os leiloar no blogue. Comecei com uma amiga que estava desempregada e queria fazer voluntariado. Ao longo do tempo, foram-se juntando mais pessoas a darem livros e tive que parar porque estava com problemas de espaço", explicou.

A ideia dos leilões no blogue, também intitulado Dejà Lu (que significa "já lido" em francês), acabou por derivar na criação de uma associação sem fins lucrativos para formar a Livraria Solidária Dejà Lu.

Francisca Prieto conseguiu um espaço na Cidadela de Cascais, com o apoio da Pousada de Cascais, para acolher a livraria, onde serão colocados, por agora, cerca de 3.000 livros, doados, novos e usados, mas com capacidade para crescer.

Desde a criação do blogue, Francisca Prieto queria envolver-se numa causa que lhe está próxima - tem uma filha com Trissomia 21 -, num espírito de voluntariado e sem qualquer intenção de caridade associada a coisas em segunda mão.

"Gosto muito de livros e centrei-me num produto que as pessoas [na altura do blogue] podiam enviar facilmente. Com a livraria queria um espaço que não desse a ideia de venda em segunda mão, de quermesse. Queria uma livraria original, um espaço de tertúlia, como um clube do livro", explicou.

Com este projeto, Francisca Prieto já canalizou cerca de 15.000 euros para a Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21, em particular para um projeto de profissionalização dos jovens e adolescentes, com vista à autonomia e integração na sociedade.

"A associação faz 25 anos e o seu trabalho tem dado frutos, nomeadamente na integração de crianças com trissomia 21 no ensino regular, com currículos adaptados. Essas crianças e adolescentes têm expetativas de um dia terem o seu trabalho e a sua independência e ainda não se conseguiu dar uma resposta concreta para isto", explicou Francisca Prieto.

É para este vertente que Francisca Prieto quer continuar a trabalhar. Não quer ser considerada nem livreira nem alfarrabista. Na livraria não haverá leilões, mas um preço fixado para cada livro que recebe, seja de doadores anónimos ou das próprias editoras.

Um dos objetivos da Dejà Lu é integrar gradualmente jovens com trissomia 21 a trabalharem na livraria, explicou. Outro é articular a agenda cultural da livraria com o restaurante que funciona no mesmo edifício, com programação temática, envolvendo gastronomia, literatura, música e encontros com autores.

Publicitária de formação, Francisca Prieto dedica-se atualmente apenas à Dejà Lu e ao acompanhamento dos filhos. O lançamento da livraria é apadrinhado por várias figuras públicas, entre as quais o pianista Mário Laginha, as atrizes Beatriz Batarda e Leonor Silveira, o designer de moda José António Tenente e o humorista Bruno Nogueira.

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