Desenhos franceses mostram processo artístico do séc. XVIII
Desenhos franceses de objectos decorativos do século XVIII, considerados um testemunho único do processo de concepção de obras de arte daquela época, vão ser expostos a partir de quarta-feira no Museu da Fundação Calouste Gulbenkian.
O conjunto de 126 desenhos ornamentais que integra a exposição "Conceber as Artes Decorativas. Desenhos Franceses do Século XVIII" foi hoje apresentado à imprensa pelo director do museu, João Castel-Branco e pelo comissário do evento, Peter Fuhring.
Inédita em Portugal, a exposição mostra desenhos de mobiliário, loiças, castiçais, tecidos, jarras, entre outros objectos de luxo usados pela nobreza e a corte na França do século XVIII.
Peter Fuhring, especialista em desenhos e gravuras de motivos ornamentais europeus entre os séculos XVI e XVIII, guiou os jornalistas através de um mundo criativo habitualmente escondido, pois são as obras finais desses esboços que o público aprecia nos museus.
Os desenhos "são um testemunho único do processo de criação dessas obras de arte decorativa da época, revelando as ideias dos artistas e as discussões com os clientes que os encomendavam", explicou o especialista, que é investigador nesta área e professor universitário na Holanda.
"São peças maravilhosamente preservadas que contam a história do surgimento de uma obra de arte", observou, sublinhando que o processo criativo era sempre alvo de reflexão e de debate entre o criador e o cliente, "frequentemente influenciado por uma opinião feminina".
Nalguns dos esboços, minuciosamente traçados, pode ler-se a palavra "bom" escrita à mão, indicando que o cliente tinha aprovado a ideia do artista.
Questionado pela Agência Lusa sobre se era o artista ou o cliente final que ficava habitualmente com os desenhos das obras, Peter Fuhring referiu que os esboços iam ficando nos ateliers e foram desta forma preservados ao longo do tempo.
"A corte francesa chegou a ter responsáveis pelas encomendas dos objectos que também arquivavam os desenhos dos artistas, mas estes eram casos raros", acrescentou.
Este conjunto de desenhos foi escolhido tendo em conta a colecção criada por Calouste Gulbenkian, pois a exposição apresenta algumas peças, produto final da criatividade dos artistas, e que o coleccionador arménio gostava particularmente.
A exposição resulta da colaboração entre instituições públicas francesas, nomeadamente a Biblioteca Nacional de França, o Museu das Artes Decorativas, a Escola Nacional Superior de Belas Artes de Paris e a Manufactura Nacional de Sévres.
André-Charles Boulle, Gilles-Marie Oppenord, Juste-Auréle Meissonnier, Jacques Lajoue, Nicolas Pineau, Thomas e François-Thomas Germain e Jacques Roettiers são alguns dos artesãos especializados nas diferentes artes decorativas que estão representados na exposição.
Com esta exposição, o Museu Calouste Gulbenkian pretende também mostrar a evolução das Artes Decorativas durante um momento importante da História da Arte que foi o século XVIII, no qual se destacaram os estilos Rococó, as temáticas inspiradas na natureza e o estilo Neo-Clássico.
João Castel-Branco revelou que o Museu Gulbenkian tenciona levar a exposição a França, e estão a ser dados passos nesse sentido.
Os desenhos vão estar em exposição até 15 de Janeiro de 2006 na Sala de Exposições Temporárias.