Diogo Navarro, a pintura "real" e a transcendente"
Lisboa, 18 Set (lusa) - Antes, o que Diogo Navarro pintava tinha "referências ao espaço urbano" e as imagens eram "difusas, com pequenos sinais da presença humana". Foi uma fase mais próxima "do real", e, como todas, passou.
Hoje, o que faz, e que vai mostrar a partir de sexta-feira na Galeria de Arte do Casino Estoril, é "mais transcendente" - classificação do próprio, em declarações à agência Lusa.
Tem 35 anos e afirma viver há 11 da pintura, este jovem pintor, nascido em Moçambique, mas que da ex-colónia veio para Portugal aos cinco anos.
Em Portugal viveu a infância, a adolescência e, quando o momento da opção académica chegou, esteve vai não vai para entrar em Arquitectura. Ponderou a tempo - e mudou de rumo, para Pintura.
"Na Arquitectura - disse - ia ser mais uma ferramenta. Na Pintura, eu poderia ir à descoberta de novas expressões".
Foi para Pintura mas não completou os cinco anos da Escola superior de Belas Artes. Sem explicitamente o afirmar, sugere que, libertando-se dos condicionamentos do ensino, mais livremente conseguiria chegar à sua própria "expressão", ao seu modo, ao seu estilo.
"Arte - define - é experimentação. É tentar a diferença, fazer coisas diferentes, às vezes criar rupturas".
Tudo isto sem esquecer a busca do equilíbrio, que reconhece ser essencial em arte. Como na natureza, precisamente, que diz ter pintado "sempre", mas representando-a "difusa, do lado dos sentidos mais do que da representação física".
Voltou em 2000 à terra onde nasceu - e onde os espaços, a luz, a natureza, tudo é diferente. A viagem, o "corte drástico de habitat" que experimentou, marcou-o, e hoje não tem qualquer dificuldade em admitir que a segunda fase da sua pintura - a de hoje, "mais transcendente" - tenha aí a sua origem.
Sim ou não, o que hoje o jovem pintor transporta para as suas telas pode ser visto a partir de sexta-feira, até 07 de Outubro, na Galeria de Arte do Casino Estoril.
É a segunda vez que lá expõe. A primeira foi há dois anos e chamou à mostra "A cor, a luz, a natureza". Aos trabalhos que agora dá a ver chamou "Terras do Mar".
Nas palavras do director da Galeria, Lima de Carvalho, são quadros "com um cromatismo muito rico e uma interpretação poética da natureza, em que os mares e os grandes espaços de água são elementos centrais".