Diretora da CACE diz que primeira vez nos Açores é marco na descentralização cultural
A exposição "O Silêncio de Hefesto" traz pela primeira vez aos Açores a Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), o que representa um "marco" na descentralização, defendeu hoje a diretora da coleção.
"É a primeira vez que estamos numa região autónoma, nos Açores, neste caso. Para nós é um marco no sentido da descentralização. Temos essa máxima de que a coleção tem de ser vista, apreciada e fruída por todos os cidadãos porque é uma coleção de todos", afirmou Sandra Vieira Jürgens à agência Lusa.
A exposição que vai ser inaugurada no sábado no Arquipélago -- Centro de Artes Contemporâneas dos Açores e está integrada no programa de circulação nacional da CACE.
"Começámos a fazer a descentralização, sobretudo de forma mais estruturada, a partir de 2023. Temos conseguido, não só a circulação nacional, mas também a circulação internacional. Para mim, isso faz todo o sentido. Tem de ser mesmo assim", reforçou.
A primeira mostra da CACE nos Açores, que ficará patente até 01 de novembro, conta com obras de artistas como Sarah Affonso, Luisa Cunha, Filipa César, Pedro Tudela, Manuela Marques, Nuno Nunes-Ferreira, Emily Wardill, Joana Escoval, José Manuel Rodrigues, Ana Vieira e Helena Almeida.
Além da "deslocação" das obras, a diretora da CACE defendeu a importância de "aprofundar o tratamento da coleção", dando como exemplo o convite a Vera Carmo para realizar a curadoria da exposição "O Silêncio de Hefesto". Vera Carmo leciona na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e tem trabalho de investigação sobre as dimensões históricas e sociopolíticas das artes visuais, em particular da fotografia e do vídeo.
"É muito importante não só levar e fazer a deslocação da coleção por todo o território, com potenciar curadorias específicas e que têm a ver com a paisagem humana e social", sublinhou a diretora da CACE.
Sandra Vieira Jürgens realçou que o plano "ambicioso" de aquisições tem tido "continuidade" através da comissão de aquisições, uma política que serve não só para "apoiar centros que não têm coleções próprias", como para "apoiar a produção artística".
"Não podemos ter património se não comprarmos arte contemporânea. Aquilo que estamos a fazer é criar a própria história da produção artística. Havia muitos artistas que não estavam representados e não digo só o caso de mulheres artistas. Temos feito esse reforço".
As políticas de descentralização da CACE servem, também, para "mostrar" as compras realizadas pelo Estado nos últimos anos.
"Não estamos a comprar para deixar em acervo ou em reserva. É para mostrar e dizer o que é a nossa arte contemporânea em todo o país", garantiu.
Já o diretor do Arquipélago, Alexandre Pascoal, considerou "fundamental estreitar as parcerias com as instituições nacionais de referência" e defendeu a importância de os Açores "aplicarem as boas práticas e retomarem" as políticas de aquisição para a coleção da instituição.
"É a primeira vez que vem a coleção do Estado aos Açores. Era minha intenção fazer isso e mostrar junto do público local - não só, mas sobretudo - obras que são património nacional, mas que nunca foram vistas localmente", afirmou.
Alexandre Pascoal salientou que o Arquipélago deve servir de "chapéu" para levar exposições a outras ilhas açorianas, adiantando que o trabalho com a CACE vai ser "contínuo".
"É uma intenção nossa fazer circular toda a coleção do Arquipélago. Todas essas parcerias possibilitarão outros caminhos e outras viagens. Isso é tudo feito em rede e em diálogo".
Sandra Vieira Jürgens lembrou que a CACE tem estado presente nas capitais portuguesas da cultura desde 2024 e vai estar presente na Évora 2027 -- Capital Europeia da Cultura, admitindo, também, a possibilidade de levar a coleção a outras ilhas açorianas.