Diretora do Conservatório de Música de Lisboa demite-se do cargo

A diretora do Conservatório de Música de Lisboa, Lilian Kopke, demitiu-se do cargo após ter sido acusada de levar à destruição do Salão Nobre da Escola do Conservatório Nacional.

Diana Palma Duarte - RTP /
Imagem do Salão Nobre do Conservatório de Música de Lisboa. Foto: João Vasco

Lilian Kopke era diretora da Escola de Música do Conservatório Nacional há seis anos. Diz à RTP que apresentou a demissão à Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE) em confronto com a opinião do Conselho Geral da Escola sobre o avanço das obras no edifício sede no Bairro Alto.

A cessação das suas funções foi aceite pelo diretor-geral da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), João Gonçalves. Lilian Kopke será substítuida até novas eleições pelo sub-diretor do Conservatório.

"Na última reunião disseram que eu ia ficar conhecida na escola como a pessoa que tinha destruído o Salão Nobre e isso eu não posso permitir", diz à RTP.

As acusações surgiram há duas semanas depois da diretora ter tomado a decisão, garante, com o consentimento do Ministério da Educação, do avanço das obras numa área específica, o Salão Nobre, que estavam a gerar polémica há meses.

A cargo da Parque Escolar, as obras de restauro de todo o edifício da Rua dos Caetanos no Bairro Alto tinham um prazo estimado de 18 meses. Mas este é o quinto ano consecutivo em que alunos, professores e funcionários se mantêm em instalações provisórias na Escola Secundária Marquês de Pombal, em Belém.

O ambiente entre os 18 elementos do Conselho Geral do Conservatório, órgão consultivo composto por representantes de todas as áreas, ficou tenso quando se descobriu que o restauro do Salão Nobre envolveu a retirada do soalho e de uma caixa de som construída de base para oferecer condições acústicas de exceção no único espaço dedicado aos concertos e audições.

"O conselho geral não estava de acordo com o projeto de arquitetura e engenharia das obras do Conservatório Nacional. Deixou isso claro, mas o facto é que esse projecto foi aceite pela dança e pela música há cinco anos. Só que fazendo uma visita às obras ficámos um pouco assustados ao ver o chão do Salão Nobre, que já tinha sido removido - era um buraco mas era um tipo de construção típica da época", conta a diretora demissionária.

Para Lilian Kopke, decidir mesmo assim, pelo avanço das obras, "foi uma decisão muito difícil de tomar"
mas enquanto responsável final, "se pedisse à Parque Escolar para suspender o que estava a ser feito no Salão Nobre, tudo se iria atrasar ainda mais e não existem estudos científicos que possam comprovar que aquelas condições acústicas de excelência vão deixar de existir devido às obras desde sempre projetadas".

A caixa construída há um século no chão daquele salão foi parcialmente destruída para a instalação de um novo pavimento radiante. É aí que o Conselho se apercebe do perigo que poderia representar para concertos futuros,pedindo então para as obras fossem canceladas.

Mas após muito refletir e pedir a opinião da Direção-Geral do Património, Lilian Kopke decidiu que era melhor avançar com um projeto que já há muito derrapou no tempo.

Em maio, uma reunião foi pedida por todos os representantes da escola e é aí que três elementos do Conselho Geral do Conservatório - um professor de História, um pai de um aluno e uma representante da Junta de Freguesia - segundo a própria, acusam-na de "vir a ficar conhecida na escola como a pessoa que tinha destruído o Salão Nobre".

Os trabalhos continuaram, até hoje, numa luta contra o tempo e após sucessivos adiamentos.

Enquanto não terminam, as condições de estudo da música na Escola Marquês de Pombal vão ficando cada vez mais degradadas. Para lá do frio e da falta de espaços adequados ao ensino e prática da música, os alunos aguentam dar espectáculos e concertos numa tenda de plástico colocada no meio do recreio para colmatar a falta de um auditório.

Lilian Kopke, a professora e diretora vai voltar às suas funções iniciais: professora de Piano.
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