Dobrar o filme "O amigo gigante" para português foi como fazer um puzzle - Diretor

A versão portuguesa do filme "O amigo gigante", de Steven Spielberg, que se estreia na quinta-feira, é o resultado de um "puzzle complexo", pela tradução de várias palavras inventadas, contou à Lusa o diretor de dobragens, José Jorge Duarte.

Lusa /

"O amigo gigante" é uma adaptação de um livro para crianças, do autor britânico Roald Dahl. Uma das particularidades da escrita de Dahl é a inclusão de centenas de palavras inventadas, que obrigam a um exercício de criatividade, na hora da tradução.

"Fui pesquisar as palavras do livro, em português e em inglês, preparei um glossário, houve um trabalho com a tradutora, tudo isto sempre em contacto com os Estados Unidos, de onde nos vinham as diretrizes; portanto, foi um puzzle complexo", explicou José Jorge Duarte.

Esta é a história da amizade de uma menina órfã que se torna amiga de um gigante. Juntos partem numa aventura para eliminar os gigantes que estão a aterrorizar os humanos. Em Portugal, a dobragem de vozes do filme contou com a participação de Renata Belo, Luís Aleluia, Lia Gama e Carlos Paulo, entre outros.

O livro de Roald Dahl foi publicado em 1982, com ilustrações de Quentin Blake, tendo já sido adaptado para teatro e para um filme televisivo de animação, chegando agora aos cinemas pela mão de Steven Spielberg, com atores e muitos efeitos especiais, para recriar o mundo dos gigantes.

O filme é protagonizado por Mark Rylance, Ruby Barnhill, Penelope Wilton, Rebecca Hall e o ator português Paul Moniz de Sá, radicado no Canadá, no papel de um dos gigantes.

No filme, os gigantes dirão palavras como "pepinasco" (semelhante a um pepino), "lambariciosíssima" (saborosa) e "assassinistros" (assassinos), e expressões como "sabor bedunhento e porcalhoso" e "víbora-velhacosa medonhicamente mortalenta".

José Jorge Duarte alerta para a possibilidade de, no filme, nem tudo estar gramaticalmente correto e algumas palavras parecerem estar erradas, precisamente por causa do texto original, mas foi feito um "compromisso, para que as frases fossem entendidas por todos, crianças e adultos".

A propósito da dobragem deste filme para língua portuguesa, José Jorge Duarte recordou ainda a dificuldade de trabalho dos atores portugueses, que gravaram as falas olhando para uma versão preliminar, ainda sem a pós-produção de efeitos especiais.

"Por causa do secretismo todo, em torno do filme, tivemos de gravar as vozes a olhar para imagens negras, com umas bolas desenhadas no espaço onde, depois, estariam as bocas. Foi muito complicado, mas foi um desafio. Esta complexidade é completamente alheia aos espectadores", contou José Jorge Duarte, há mais de vinte anos como diretor de dobragens.

A história de "O amigo gigante" está publicada em Portugal, com o título "O grande gigante gentil", que se junta a vários obras do autor, também presentes no mercado português, como "Matilda", "Charlie e a fábrica de chocolate" - ambos também já adaptados para cinema - e "Danny - o campeão do mundo".

O filme de Spielberg estreia-se numa altura em que se celebram os cem anos do nascimento de Roald Dahl, um dos autores mais conhecidos e acarinhados da literatura britânica para a infância e juventude, embora tenha deixado várias obras para adultos.

A propósito da efeméride, uma das iniciativas recentes no Reino Unido foi a edição de um dicionário com centenas de palavras inventadas por Dahl, com ilustrações de Quentin Blake.

Segundo contas da BBC, as obras de Roald Dahl, que morreu em 1990, estão traduzidas para mais de 50 línguas, tendo sido vendidos mais de 200 milhões de exemplares em todo o mundo.

 

 

Tópicos
PUB