Doces algarvios em vez de aguarelas

Doces regionais algarvios, como D.Rodrigo ou doce de figo, vão substituir sábado as aguarelas e outras formas de arte emergente que habitualmente são expostas na galeria Quasiloja, no Porto.

Agência LUSA /

A iniciativa é de São Almeida, neta do fundador da conhecida pastelaria Almeida, em Portimão, fundada em 1919, e que desde os seus primórdios fabricou de forma artesanal o doce regional algarvio com base em receitas conventuais, apanágio do clero da época.

A galeria de arte, que procura essencialmente divulgar novos artistas, fez o convite e São Almeida aceitou mostrar e dar a provar, sábado, cerca de 20 variedades de doces algarvios.

Miniaturas em doce de amêndoa e ovos, em doce de figo, em doce de ovos (D. Rodrigo) e bolos cortados em pequenas porções vão estar expostos entre as 15:00 e as 19:00 naquela casa de artes, na Rua da Constituição.

Apesar de residir no Porto, São Almeida, de 56 anos, cresceu e viveu muitos anos em Portimão por entre massas, ovos, farinha, açúcar, colheres de pau e "muitas" panelas.

"A doçaria algarvia faz parte do meu imaginário de criança", afirmou, em declarações à Agência Lusa, contando que, na infância, a plasticina era a sua massa de amêndoa de cores.

A ideia de divulgar esta peculiar forma de arte era um desejo antigo de São Almeida, que o convite da Galeria Quasiloja permitiu concretizar.

A conhecida pastelaria de Portimão saiu da propriedade da família há cerca de um ano, mas São Almeida continua a trabalhar com o açúcar, ovos, panelas e colheres de pau, fazendo os tradicionais doces a pedido de particulares, entre os quais algarvios que não prescindem de fazer encomendas, que são depois enviadas para a região.

Com dois filhos - uma bióloga do Oceanário de Lisboa, e um engenheiro alimentar - e já com netos, São Almeida, que também já foi secretária de administração durante oito anos, teme pelo futuro deste fabrico artesanal.

"Eventualmente, o meu filho, que está mais ligado à área, quererá prosseguir com o negócio de fabrico artesanal destes doces", admite.

São Almeida confessa que a sua grande ambição é "abrir uma pastelaria de doces regionais algarvios", possivelmente no Porto, não afastando a hipótese de criar uma pequena unidade para fabricar e distribuir estas iguarias.

Segundo a artista, a pastelaria de Portimão, fundada por António Pedro Carneiro de Almeida, sempre cultivou o princípio de respeitar os critérios daqueles que criaram as receitas, tendo a sua reputação ultrapassado fronteiras.

Recentemente, uma jornalista alemã pediu a colaboração de São Almeida para uma reportagem sobre o doce regional algarvio e a própria pastelaria.

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