Dois jornalistas recuperam história da menina austríaca Natascha Kampusch
"Natascha Kampusch - A Rapariga da Cave", livro lançado esta semana pela Difel, recupera a história da menina austríaca que, a 23 de Agosto de 2006, faz sexta-feira seis meses, conseguiu pôr fim a oito anos de sequestro numa cave.
O livro-reportagem foi escrito pelos jornalistas Allan Hall e Michael Leidig, que acompanharam o caso desde que, a 02 de Março de 1998, a menina de 10 anos foi raptada pelo condutor de uma carrinha branca a poucos metros da escola onde estudava.
A obra conta diversos episódios da vida da jovem nas semanas logo após esta ter escapado ao seu raptor - que a manteve oito anos numa cave exígua, com acesso controlado ao resto da casa - e recua no tempo para explicar como aconteceu o sequestro.
Embora o livro inclua excertos de várias entrevistas e de depoimentos de Natascha Kampusch, de 18 anos, os autores reconhecem que há ainda muito por explicar em relação a este caso, que não terminou com a libertação da jovem e o suicídio do raptor.
Ao aperceber-se de que Natascha fugira, o sequestrador, um engenheiro de 44 anos chamado Wolfgang Priklopil, atirou-se para a frente de um comboio, deixando a história com apenas um narrador: a adolescente austríaca.
Porém, e ao contrário do que se poderia esperar, Natascha Kampusch revelou que não odiava o seu carcereiro - pelo contrário, nutria até afecto por ele - e recusou-se a esclarecer que tipo de relação mantinham, o que gerou intensas especulações.
Esta simpatia pelo raptor, designada em psicologia por "síndroma de Estocolmo", pode estar relacionada com o tempo de convívio, ainda que forçado, defendem psicólogos, psiquiatras e outros especialistas sobre comportamento humano citados no livro da Difel.
Também as saídas que Wolfgang Priklopil e Natascha Kampusch fizeram em conjunto, entre Fevereiro e Agosto de 2006, foram motivo de controvérsia, levando a opinião pública a questionar se a jovem não podia ter escapado antes ao seu alegado agressor.
Todavia, além de admitir que sentia pena do raptor, o que terá amenizado o seu ímpeto de fuga, Natascha declarou que se encontrava sob constante ameaça, por Priklopil afirmar que se mataria - ou mataria ambos - à primeira tentativa que ela fizesse de escapar.
Receosa de que uma primeira tentativa falhasse, Natascha Kampusch só decidiu correr o risco quando se sentiu suficientemente segura de que seria bem sucedida, apesar de ter fugido num momento em que estava muito magra e com debilidades cardíacas e imunitárias.
O livro de Allan Hall e Michael Leidig percorre da infância complicada da protagonista à sua transformação em estrela mediática, requisitada por jornais e televisões do mundo inteiro, apresentando ainda uma biografia do sequestrador.
Com base nas declarações de Natascha, que é agora a única fonte, os jornalistas descrevem o quotidiano da jovem entre Março de 1998 e Agosto de 2006, dando conta dos esforços que, paralelamente, iam sendo efectuados para a localizar.
Os autores do livro contactaram também com a russa Elena Simakhine que, tal como Natascha, de quem se tornou amiga, esteve presa numa cave minúscula, onde permaneceu quatro anos, e com parentes das vítimas do pedófilo belga Marc Dutroux.
Allan Hall é jornalista há 31 anos, foi, durante 10 anos, correspondente dos jornais The Sun e Daily Mirror em Nova Iorque, fundou a agência noticiosa Big Apple News e, nos últimos oito anos, tem sido correspondente do The Times, Scotsman, Independent, Mail on Sunday, Daily Mail e do australiano The Age.
Hill é também autor de vários livros, incluindo algumas enciclopédias sobre o crime.
Michael Leidig trabalha desde 1988 como repórter em jornais, revistas, rádio e televisão, e é correspondente na Áustria para o London Daily Telegraph desde 1995.
Fundou a agência noticiosa Central European News, que tem correspondentes em todos os países da Europa Central e de Leste, e foi fundador e editor de três jornais austríacos, o Vienna Reporter, o Austria Today e o mais recente Austrian Times.