Dos Beatles a José Mário Branco - músicos portugueses escolhem "canções revolucionárias" para assinalar o 25 de Abril
Lisboa, 23 Abr (Lusa) - Na véspera de mais um aniversário da revolução de Abril, dez artistas portugueses demonstram quinta-feira no Musicbox, em Lisboa, que a música pode ainda ser uma arma de intervenção.
Sob o mote "Canções revolucionárias", o Musicbox desafiou músicos portugueses a escolher canções que se enquadrassem no espírito da revolução, não necessariamente na de Abril.
Nessa noite haverá, por exemplo, Bob Dylan, Leonard Cohen, Beatles, Kurt Weil, José Mário Branco, Sérgio Godinho e Adriano Correia de Oliveira.
O convite foi feito a Miguel Ângelo e Fernando Cunha, Tim, Ana Deus, Olavo Bilac e os Oioai e a Vicente Palma, filho de Jorge Palma, que irá interpretar, entre outros, "Para Rosália", que integrou um disco tributo a Correia de Oliveira.
Flak, dos Rádio Macau e Micro Audio Waves, outro dos convidados, explicou à Lusa que irá interpretar canções que falam de guerra, "o pior que o ser humano é capaz de fazer": "The Partisan" (Leonard Cohen), "Masters of war" (Bob Dylan) e "Ballad of the soldier´s wife" (Kurt Weil), que irá tocar acompanhado dos The guys from the caravan.
O guitarrista, que no 25 de Abril de 1974 tinha doze anos e consciência política do que aconteceu, referiu ainda que o conceito deste espectáculo, no seu entender, extravasa o sentido da revolução dos cravos.
"É um conceito de intervenção, que tenha a ver com revolução, mas pode ser musical, cultural ou até de denúncia, de apelo a um conhecimento sobre uma das maiores hipocrisias do mundo que é a guerra", sublinhou Flak.
Do alinhamento de quinta-feira estão ainda prometidos "E depois do adeus", de Paulo de Carvalho, "Trova do vento que passa" (Manuel Alegre e Adriano Correia de Oliveira) ou ainda "Trovas para um Zé Alguém", de Regina Guimarães e Ana Deus.
SS.