Edição de três DVD mostra primeiros anos de Chico Buarque
Três DVD, registando diferentes temáticas da carreira do compositor e cantor brasileiro Chico Buarque, da influência carioca à sua intervenção sócio-política, chegam esta semana ao mercado português, com alguns inéditos.
Os DVD intitulados "Meu caro amigo", "à flor da pele" e "Vai passar" abordam, respectivamente, as parcerias e amizades de Chico e o período de infância vivido entre São Paulo e o Rio de Janeiro, a temática feminina na obra do compositor e, finalmente, o período da ditadura e os tempos da censura.
Os três DVD, editados pela EMI Music, podem ser vendidos em caixa ou separadamente.
O DVD "Meu caro amigo" traz revelações inéditas sobre a sua obra e parcerias, como quando o compositor refere as várias composições deixadas por Tom Jobim, que continuam sem letras, e estão guardadas por si.
A dado passo o cantor afirma: "Gostaria de fazê-las. Tenho pena de não ter mais canções com ele. Mas sem o Tom, aqui, não tem sentido".
Buarque conta a forma como "afectuosamente foi iniciado" na arte de letrista pelo poeta Vinicius de Moraes, amigo de família e frequentador de seu pai, o historiador Sérgio Buarque de Holanda.
Sobre o poeta, Chico Buarque afirma que "prezava muito as amizades, um pouco como o casamento com as mulheres, quando se apaixonava e se encantava com uma mulher, queria casar com ela. Quando fazia um amigo, ele queria esse amigo como parceiro".
Um período essencial, na opinião do musicólogo Bruno Ribeiro, segundo o qual Chico Buarque "sempre foi da classe média carioca, paulista e, depois, carioca de novo. Suas paisagens são as mesmas de todos nós. Sua música brotou do meio da rua e do meio do povo. As imagens sempre estiveram aí, estampadas na cara do Brasil", daí a popularidade do cantor e a sua identificação com o Brasil.
Sendo de uma geração da televisão, a carreira de Chico Buarque está amplamente documentada, o que facilitou a recolha de registos, para além dos inéditos, gravados pelas câmaras dos amigos.
Neste primeiro DVD surgem de forma "descontraída e intimista" algumas canções e conversas com Tom Jobim, Miúcha, Elis Regina, Edu Lobo, Toquinho, Gal Costa, Djavan, Dorival Caymmi, Francis Hime, ou Daniela Mercury.
O DVD "à flor da pele" foi gravado em Paris, cidade de que o artista gosta particularmente. Ao seu apartamento no bairro de Maris chama "seu refúgio". Foi na capital francesa que escreveu o seu romance "Benjamim".
Neste DVD surgem as canções ligadas à temática feminina, ao lado de Caetano Veloso, Milton Nascimento, Nara Leão, Francis Hime e Leo Jaime.
O musicólogo Bruno Ribeiro considera que "Chico mostra ser o grande intérprete da alma feminina na música brasileira".
Foi para Nara Leão, a pedido desta, que Buarque começou a escrever letras na primeira pessoa no feminino.
"Vai passar" foi gravado em Roma e referencia um período de maior actividade política do cantor. Como afirmou em várias entrevistas, "foi cronista das esperanças políticas do seu tempo".
Depois de ter sido preso político, o compositor foi libertado em 1968, tendo iniciado uma viagem pela Europa. Mora em Roma, onde nasceu uma filha e só voltou ao Brasil em 1970.
Período em que o Brasil vive a ditadura militar, que, como afirmou, "encheu muito o meu saco, mas eu também enchi o deles bastante".
Neste DVD surgem as canções ao lado de Ruy, Miltinho, Achiles e Magro, Caetano Veloso, Sergio Bardotti, Tom Jobim, Milton Nascimento e Gilberto Gil. Também neste DVD surge um inédito, a canção "Risotto Nero", feita em parceria com Sergio Bardotti, e mostrada pela primeira vez neste DVD.
NL.
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