Edição nova de "O Homem sem Qualidades" integra colecção a lançar dia 12

O livro "O Homem sem Qualidades", de Robert Musil, vai ser publicado em Portugal em quatro volumes no âmbito das obras completas do escritor austríaco, que a Dom Quixote começa a editar quinta-feira.

Agência LUSA /

"Os dois primeiros volumes de `O Homem sem Qualidades` vão incluir o que foi publicado no passado em Portugal, enquanto o terceiro e quarto tomos apresentarão partes do espólio", revelou à Lusa o tradutor João Barrento, director da colecção.

João Barrento vai estar presente na apresentação pública da obra, que decorrerá na Culturgest, em Lisboa, numa sessão que contará ainda com Eduardo Prado Coelho, António Vitorino de Almeida e leituras pelo actor Diogo Dória.

Apesar de "O Homem sem Qualidades" ser a obra mais conhecida de Musil, o primeiro título da colecção será "As Perturbações do Pupilo Torless", publicado em 1906 e já editado em Portugal pela Livros do Brasil.

O segundo livro da série, intitulado "A Portuguesa e outras Novelas", sairá no Outono, e só no primeiro trimestre de 2006 devem chegar às livrarias os dois primeiros volumes de "O Homem sem Qualidades", publicado entre 1930 e 1942.

De acordo com João Barrento, a colecção, composta por oito obras distribuídas por 11 tomos, será publicada ao ritmo de dois a três livros por ano, devendo ficar completa no final de 2006 ou no início de 2007.

Para o director da colecção, "Robert Musil é um autor com pouca presença em Portugal, onde o seu trabalho ensaístico nunca chegou, apesar de ser uma das grandes figuras da primeira metade do século XX, a par de Marcel Proust, James Joyce ou Franz Kafka".

Por isso, e apesar das dificuldades inerentes à tradução, nomeadamente no que se refere à "linguagem muito rigorosa a que Musil recorre até para descrever estados emocionais", João Barrento considera a edição oportuna.

"Sobretudo porque da obra de Musil já publicada em Portugal houve muito pouca repercussão nos meios académicos e críticos, o que contrasta com o interesse das novas gerações, que citam o escritor em diversas páginas de Internet, com destaque para os blogs", referiu.

Respondendo a esse interesse, a colecção incluirá "todos os géneros e formas da prosa de ficção e ensaística de Musil". Para já, ficam excluídos "a poesia (há muito poucos poemas), o teatro e a correspondência", mas os dois últimos poderão ser editados posteriormente.

A nova colecção, traduzida directamente a partir do alemão, tem ainda na sua equipa de tradutores Maria Antónia Amarante, Gilda Lopes Encarnação, Vanessa Milheiro, Catarina Pires e Maria Assunção Pinto Correia.

A equipa decidiu não proceder a selecções dos textos ou a cortes, com excepção dos Diários, que, como se lê no plano editorial, "pela sua extensão e pelo carácter desigual das entradas" pode sofrer uma redução para metade.

Do escritor austríaco dificilmente poderão ser editadas as obras completas, uma vez que pequenas notas, diários e cartas perderam -se ao longo da sua vida (1880-1942), em que passou por diversas cidades da Áustria, ocupando-se do jornalismo e da literatura.

PUB