Editora Cafetra Records cria compilação solidária com Acampada de Lisboa
A editora discográfica independente Cafetra Records criou uma compilação, disponível a partir de hoje, cujo valor da venda, mediante donativo livre, reverte para apoiar a Acampada de Lisboa, ação de protesto pelo direito à habitação.
A compilação "Acampilação Fetra e Amigos -- Canções para a Acampada" é composta por 14 temas, de artistas como Maria Reis, Lourenço Crespo, Éme, Deep Cuts e Sallim, de acordo com informação disponível na página da editora na plataforma `online` Bandcamp.
"Canções para celebrar a ocupação da praça e tudo aquilo que ainda vamos construir. Hoje as tendas voltam, que não nos faltem malhas! A totalidade dos donativos (livres) angariados revertem para apoiar a Acampada de Lisboa", lê-se na página.
Embora o apoio seja para a Acampada de Lisboa, cidade onde a Cafetra Records está sediada, a editora demonstra "`respect` [respeito, em português] igual aos amigos da Acampada do Porto e a todas as acampadas por aí fora".
A Cafetra foi criada em 2008, "por um grupo de amigos que se juntaram para fazer e editar a sua própria música".
"É distinta a sua forma de editar e produzir música, tanto pela variedade de formatos em que edita e já editou (CD, CD-R, Vinil, Cassete) como pela própria música que, apesar de ser de variados estilos (rock, punk, pop, folk, electrónica, etc.), encerra em si uma identidade comum", lê-se no `site` da editora.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de manifestantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades, dias depois da aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.
As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.
A 15 de outubro, o movimento que protestava no Porto, com uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e em um polícia. Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz no dia 27.
Os promotores dos protestos prometem continuar nas ruas.