Eduardo Prado Coelho tinha "escrita iluminante" e ajudou Portugal a pensar a contemporaniedade
A morte de Eduardo Prado Coelho "é uma grande perda e uma grande tristeza", lamentou hoje a ministra da Cultura, recordando um "intelectual" que soube "cruzar vários saberes", concliando a "investigação teórica" com uma "escrita "iluminante".
Isabel Pires de Lima recorda Eduardo Prado Coelho, antes de mais, "como um colega, cujo trabalho intelectual e universitário desde sempre acompanhei e com quem dezenas de vezes me cruzei em conferências, colóquios, concursos literários e muitas outras ocasiões".
"Gostava também de salientar o grande intelectual que foi, tendo sempre sabido conciliar a investigação universitária, designadamente no campo da literatura e da crítica contemporânea, com uma actividade como cronista, ensaísta e até mesmo ao nível da escrita autobiográfica".
"Valorizo muito essa capacidade de estar presente, se quiser, nesses dois mundos", frisa Isabel Pires de Lima, elogiando, nesse contexto, "a sua capacidade de cruzar vários saberes - filosofia, literatura, antropologia, literatura... O seu permanente contacto com todas estas áreas do saber fez dele uma figura preponderante, dissiminadora e até iluminante".
A ministra da Cultura recorda ainda Eduardo Prado Coelho como alguém que "esteve sempre muito atento à arte e ao pensamento contemporânio português", com quem "Portugal aprendeu a pensar a sua contemporaniedade".
Salientando o seu papel de divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro, "nomeadamente em França", onde foi conselheiro cultural da embaixada durante dez anos, e no Brasil, "país ao qual esteve sempre muito atento", Isabel Pires de Lima destaca ainda o facto de ter sido "um dos homens que melhor pensou a poesia contemporânea, tendo contribuido para a descobrerta de muitos autores portugueses e escrito alguns dos ensaios mais iluminantes sobre a poesia portuguesa nos últimos 30 anos".
"A sua escrita foi sempre muito sensível e inteligente", afirma Isabel Pires de Lima, recordando uma frase de Eduardo Prado Coelho que sintetiza a sua forma de estar: "Escrever é descobrir" e uma expressão que "resume bem sua escrita, na qual, de facto, estava sempre presente o acto da descoberta".