EEA Grants financia em um milhão de euros projeto português de arqueologia aquática e subaquática

A iniciativa "Water World: Capacitação e competências para a conservação e gestão do Património Cultural Subaquático", do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), vai ser financiada pelo EEA Grants, anunciou hoje a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

Lusa /

O projeto visa "a salvaguarda, proteção, conservação, monitorização e disseminação de bens culturais arqueológicos, provenientes de ambientes saturados de água", está orçado em 995.000 euros, provenientes do Fundo para Cooperação Bilateral do Espaço Económico Europeu (EEA, na sigla em inglês), vai ser desenvolvido durante quatro anos e é promovido pelo CNANS, em parceria com o Museu Marítimo da Noruega.

No âmbito do "Water World", será equipado "um laboratório nacional dedicado à conservação do património náutico e subaquático", no CNANS. Da parte do museu norueguês, responsável pela gestão do património náutico e subaquático na costa sul da Noruega, a DGPC "espera um importante contributo para o debate sobre técnicas, experiências e conceitos" relacionados com este património.

O "Water World" vai permitir também desenvolver um "programa de capacitação logística e formação humana", a "conservação e monitorização de património náutico e subaquático" e gerir "a paisagem cultural marítima", além de permitir publicar, divulgar e aceder a informação sobre o património náutico e subaquático.

A DGPC reconhece que "a gestão do património arqueológico náutico e subaquático comporta fortes constrangimentos", mas realça que "este património é fundamental para compreender o passado" português, sendo "um recurso finito, facilmente destrutível e não renovável".

Por isso, a DGPC defende que "é fundamental a sistematização da informação arqueológica existente no país, do norte ao Algarve, pois só se pode proteger e valorizar o que se conhece".

"A divulgação deste património só pode ser feita a partir de conhecimentos validados cientificamente", acrescenta a DGPC.

Através do "Water World" serão promovidas "boas práticas, formação e investigação na gestão, conservação e divulgação" do património cultural subaquático.

Além do equipamento laboratorial prevê-se a criação de "oportunidades de trabalho e novas abordagens entre investigadores, estudantes e profissionais", e a devolução de "cerca de 600 peças arqueológicas provenientes de meio submerso às comunidades locais onde estas foram encontradas".

A realização de trabalhos arqueológicos e a interação com as comunidades locais da costa portuguesa "para localizar, georreferenciar, avaliar e monitorizar os sítios arqueológicos subaquáticos", são outros objetivos previstos na iniciativa.

Ao público, segundo a DGPC, será disponibilizada "informação e o acesso a estes bens e sítios arqueológicos náuticos e subaquáticos".

A DGPC acrescenta que, na sua base de dados, estão registadas "cerca de sete mil ocorrências arqueológicas" e que "a maior coleção, em Portugal, de bens provenientes de meio subaquático ou húmido, com mais de 20.000 peças arqueológicas", se encontra no CNANS.

As novas instalações do CNANS, em Xabregas, em Lisboa, tinham abertura prevista para o passado mês de março, mas fonte da DGPC reconheceu à Lusa que o processo "sofreu algum atraso, devido à situação da pandemia".

A obra, porém, "encontra-se na sua fase final e a previsão é que a mudança do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa [MARL, em Loures], para as novas instalações, tenha início já durante o próximo mês de julho, tratando-se de uma operação de enorme complexidade", acrescentou a mesma fonte da DGPC.

O EEA Grants é um mecanismo de apoio financeiro, que envolve o Espaço Económico Europeu (European Economic Area), composto pelos Estados-Membros e por três países da Associação Europeia de Comércio Livre (EFTA, na sigla inglesa), Islândia, Liechtenstein e Noruega, que partilham o mesmo Mercado Interno. Tem por destino os Estados-membros da União Europeia, com maiores desvios do Produto Interno Bruto per capita.

Em Portugal, o EEA Grants 2014-2021 financia o Programa Cultura com nove milhões de euros. Este programa conta com uma comparticipação portuguesa de 1,45 milhões de euros, e tem previsto o investimento de 4,39 milhões, na área do património cultural, e de 3,27 milhões, nas artes.

O apoio ao processo de digitalização da Cinemateca Portuguesa, a criação de centros de memória da Rede de Judiarias, a instalação do centro interpretativo dedicado à vida e obra de Garcia de Orta, em Castelo de Vide, projetos do Programa Pegada Cultural - Artes e Educação, e o programa Ecoar - Empregabilidade, Competências e Arte, desenvolvido em contexto prisional, são alguns dos projetos que contaram com fundos EEA Grants.

Tópicos
PUB