"Efeitos de luz" da pintura de Sousa Lopes a partir de hoje no Museu do Chiado
Lisboa, 17 jul (Lusa) - A primeira exposição monográfica de Adriano de Sousa Lopes, "um dos primeiros artistas portugueses a adotar práticas impressionistas", é inaugurada hoje, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC), em Lisboa.
Denominada "Sousa Lopes 1879-1944. Efeitos de luz", a mostra apresenta "cerca de cem obras significativas das fases fundamentais" do artista, "entre as quais algumas pinturas inéditas pertencentes ao Musée de l`Armée de Paris", feitas em cenários de guerra, "fundamentais para a compreensão do entendimento sensível e do expressivo realismo deste autor", segundo a curadora da mostra, Maria de Aires Silveira.
O pintor "começa por se interessar por fantasiosas narrativas lendárias e por momentos épicos da História de Portugal, inspirando-se em estéticas simbolistas, mas deixa-se seduzir pelos impressionismos e por artistas como [Claude] Monet e [Paul-Albert] Besnard, em Paris", no início do século XX, como se lê no texto de apresentação, assinado por Maria de Aires Silveira, conservadora do museu.
Na altura, Sousa Lopes viajava por museus e cidades da Europa, acabando por adquirir "uma cultura artística invulgar", com impacto, sobretudo, "na produção de uma longa série de obras realizadas em Veneza", como destaca a curadora.
O pintor, nascido em 1879, viveu na capital francesa desde 1903 até finais dos anos de 1920, expondo com regularidade no Salon de Paris e no Grand Palais.
Em 1917, pouco depois da sua primeira exposição individual em Lisboa, durante a Grande Guerra de 1914-18, alistou-se como artista oficial do Corpo Expedicionário Português, tendo testemunhado episódios dramáticos e paisagens devastadas, que retratou "em notáveis gravuras a água-forte, comoventes desenhos e trágicas pinturas", como recorda Maria de Aires Silveira.
Terminado o conflito, aceitou encomendas oficiais portuguesas, como a série de pinturas monumentais do acervo do Museu Militar de Lisboa, entre as quais se encontra "A rendição", na qual retrata o desalento de soldados abandonando a trincheira, demonstração do "realismo expressivo" do pintor.
Nos anos de 1920, o núcleo de pinturas que fez de Marguerite Gros, sua mulher, assegurou-lhe "um lugar original como retratista de imagens no feminino, no centro do modernismo português, embora sem o integrar", sublinha o texto da exposição.
"É neste período que Sousa Lopes constrói séries impressivas de luz, em diferentes fases do dia, explorando a representação do movimento das ondas, assim como a faina dos pescadores, em enquadramentos escolhidos -- são paisagens do litoral português, entre as praias da Caparica, Nazaré, Aveiro e Furadouro", escreve a curadora.
No final da década de 1920, Sousa Lopes acabou por se fixar em Lisboa, onde assumiu a direção do Museu Nacional de Arte Contemporânea, de 1929 a 1944, sucedendo a Columbano Bordalo Pinheiro.
A ampliação do museu, só agora em curso, e uma política de aquisições que privilegiasse, pela primeira vez, a incorporação de autores modernistas, além de núcleos oitocentistas, estiveram entre as preocupações do pintor, enquanto diretor do MNAC, recorda a conservadora do museu.
Sousa Lopes morreu em 1944, pouco depois de completar o painel dedicado ao Infante D. Henrique, no Salão Nobre do Palácio de São Bento.
A exposição, com curadoria de Maria de Aires Silveira e Carlos Silveira, do Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa, é inaugurada hoje, ao fim da tarde, e fica patente ao público, a partir de sábado, 18 de julho, até 08 de novembro, no edifício principal do MNAC-MC, na rua Serpa Pinto, em Lisboa.