Cultura
Em 700 anos. Projeto pioneiro acrescenta 175 mil novos registos históricos perdidos da Irlanda
"É um enorme período de tempo - do século XIII até o século XIX". O Tesouro Virtual da Irlanda disponibilizou mais de 175 mil novos registos e conteúdos que preenchem lacunas na história irlandesa dos últimos 700 anos. Esta coleção de livre acesso online foi organizada pela Trinity College de Dublin e é um projeto pioneiro que pretende reconstituir o Public Record Office da República da Irlanda - um arquivo destruído em 1922 no início da guerra civil.
São sete séculos de registos históricos que estavam perdidos e agora com o projeto pioneiro do Virtual Record Treasury of Ireland chegam ao conhecimento público.
Com a colaboração académica liderada pelo Trinity College Dublin, da Universidade de Dublin, estão a ser disponibilizados mais 175 mil registos e milhões de palavras de conteúdo de livre acesso on-line.
O projeto foi lançado em 2022, no centenário de o Departamento de Arquivo Público - Public Record Office -, em Dublin, ter sido incendiado. Esta destruição ocorreu durante uma batalha de cinco dias que começou a 28 de junho de 1922.
Ao assinalar-se o 103.º aniversário do incidente, foi adicionado material histórico recém-recuperado que abrange a conquista anglo-normanda e a rebelião de 1798 e um "tesouro genealógico dos censos do século XIX".
A nova coleção documenta ainda temas como a espionagem, corrupção política e as vidas de pessoas comuns na Irlanda preenchendo lacunas na história irlandesa.
Censos do século XIX
A história do arquivo perdido remonta à destruição dos Escritórios dos Registos Públicos que "continha tesouros inestimáveis que datam dos tempos medievais", diz Peter Crooks, historiador da Trinity e diretor académico do projeto.
Ao pensar-se que esses documentos estivessem perdidos para sempre, o projeto recrutou 75 arquivos e bibliotecas na Irlanda, no Reino Unido e passou palavra para bibliotecas e outras instituições de todo o mundo para obter transcrições e duplicados de documentos. Muitos dos quais que estavam perdidos, esquecidos, armazenados.
Entre o espólio que estava perdido, esquecido e armazenado foi recuperado uma imensa quantidade de documentos que foram catalogados e digitalizados pela equipa do projeto.
O Virtual Record Treasury of Ireland e o Trinity College Dublin enviou a historiadores, cientistas da computação e outros especialistas para reconstituir digitalmente partes de um vasto arquivo destruído na guerra civil da Irlanda.
Entre os documentos estavam cadernos com transcrições feitas por genealogistas e historiadores do censo do século XIX antes de ser destruído pelo fogo em 1922.
Um caderno preservado nos Arquivos Nacionais da Irlanda contendo nomes de duas famílias, transcritas do censo de 1841 para Headford, Condado de Galway | Crédito da imagem: Chris Bellew/Fennell Photography
Documentação da diáspora
Neste espólio mais recente inclui "60 mil nomes dos censos perdidos, constituindo um tesouro de dados para genealogistas e descendentes da diáspora irlandesa, entre outros, para rastrear linhagem familiar", diz Ciarán Wallace, historiador da Trinity e co-diretor do projeto.
“Este é apenas um fragmento do que falta, mas 60 mil é uma enorme melhoria para esta página que estva em branco”, acrescenta.
O portal digital da “Idade de Conquista” do projeto contém pergaminhos em latim e cinco milhões de palavras da história irlandesa anglo-normanda, abrangendo os anos de 1170 a 1500, que foram traduzidas para o inglês.
Outros documentos reunidos que abrangem o "período entre 1660 a 1720 compreendem dez milhões de palavras, incluindo extensos relatórios de inteligência da era Tudor, quando os monarcas ingleses apertaram seu controle sobre a primeira colónia da Inglaterra", descrevem os investigadores.
“É uma escala muito significativa de dados”, sublinha Crooks. “É um enorme período de tempo do século 13 até o século 19. A escala do que pode ser trazido, em termos de reconstrução, continua a surpreender-me", realçou Wallace.
Zoë Reid, responsável pelos manuscritos do Arquivo Nacional da Irlanda, examina os registos com o especialista em censos Brian Gurrin.
O ministro irlandês da Cultura, Patrick O’Donovan, acentuou que a colaboração internacional sustentou as “riquezas” que foram redescobertas.
“Estes materiais oferecem um recurso histórico inestimável para pessoas de todas as idades e tradições em toda a ilha da Irlanda e no exterior, e democratiza o acesso para que nossa história compartilhada seja mais acessível e envolvente para todos”, realçou O’Donovan.
O projeto associou a "investigação académica tradicional, a inteligência artificial e o apoio e a experiência de instituições que contêm registos irlandeses, nomeadamente os Arquivos Nacionais da Irlanda, o Public Record Office da Irlanda do Norte, os Arquivos Nacionais do Reino Unido em Kew e a Comissão de Manuscritos Irlandeses", explicou Crooks.
O projeto associou a "investigação académica tradicional, a inteligência artificial e o apoio e a experiência de instituições que contêm registos irlandeses, nomeadamente os Arquivos Nacionais da Irlanda, o Public Record Office da Irlanda do Norte, os Arquivos Nacionais do Reino Unido em Kew e a Comissão de Manuscritos Irlandeses", explicou Crooks.
“O círculo de colaboradores amplificou-se e aprofundou-se”, rematou.
Estas novas entradas aumentaram para um o total de 350 mil registos e 250 milhões de palavras de história irlandesa pesquisável online.