Encontrados vestígios de elefante que pode ter sido usado por Aníbal na guerra contra Roma

Encontrados vestígios de elefante que pode ter sido usado por Aníbal na guerra contra Roma

Foi encontrado um osso com 2.200 anos na Colina de los Quemados, em Córdova, Espanha, que poderá pertencer a um dos elefantes usados pelo exército de Aníbal, durante a Segunda Guerra Púnica contra Roma, no século III a. C.

RTP /
Alex Domanski - Reuters

Segundo um estudo publicado este mês, sob a coordenação de Rafael M. Martínes Sáncez e publicado no Journal of Archaeological Science: Reports, as escavações foram feitas em 2019, com a descoberta do osso a “chamar a atenção”, pois, inicialmente, não correspondia a nenhuma espécie nativa. Foi identificado anos depois como um osso carpal direito de um elefante um “tornozelo”, que terá sido levado como animal de guerra.

“O espécime consistia num osso curto, em forma de cubo, com aproximadamente dez centímetros de comprimento, que conservava algumas facetas articulares”
, lê-se no estudo, que, após a extração, se constatou que o elefante teria sofrido “alguns danos leves”.Os danos no osso, em conjunto com a descoberta de 12 pedras esféricas – que se acredita serem munições para as catapultas –, cerâmica e moedas, indiciam a possibilidade de o local ter sido palco de uma batalha.

No entanto, o estudo revela que a “identificação da espécie de elefante empregada pelos exércitos púnicos, que acreditamos ser a representada pelo nosso espécime, enfrenta desafios significativos”, pois não é possível identificar se era um elefante asiático – usado pelo rei grego Pirro de Épiro contra os romanos dez anos antes – ou africano, atualmente extinto e usado pelos cartagineses em contexto de guerra.

Aníbal foi um general de Cartago – Cidade-Estado na atual Tunísia – conhecido por ter desafiado a supremacia de Roma sobre a bacia mediterrânea. Numa das campanhas, em 218 a. C., levou 37 elefantes que atravessaram os Pirenéus e os Alpes até Roma, mas até hoje não existiam provas arqueológicas do acontecimento, sem serem vestígios de terra revolvida deixados por animais de grande porte que atravessaram a cordilheira.

O osso encontrado poderá pertencer a um animal que morreu antes de atravessar os Pirenéus, mas os arqueólogos alertam que, "embora não represente um dos espécimes míticos que Aníbal levou através dos Alpes, poderia potencialmente incorporar a primeira relíquia conhecida – tão procurada pelos estudiosos europeus da Era Moderna – dos animais usados nas guerras púnicas-romanas pelo controle do Mediterrâneo".
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