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Encontro de escritores lusófonos em Cabo Verde com mais Brasil, Macau, Timor-Leste e povo

Encontro de escritores lusófonos em Cabo Verde com mais Brasil, Macau, Timor-Leste e povo

O encontro de escritores de língua portuguesa, que decorre de quinta-feira a sábado em Cabo Verde, será este ano mais próximo da população e reforçará a participação do Brasil, Macau e Timor-Leste, segundo a organização.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Com o tema geral "A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo de mudanças", o XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa vai, como nas edições anteriores, juntar escritores, investigadores, editores, professores, críticos literários e leitores de várias nações lusófonas na cidade da Praia, na ilha de Santiago.

Em declarações à Lusa, a secretária-geral adjunta da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), que organiza o evento, em conjunto com a Câmara Municipal da Praia, sublinhou que o encontro terá este ano uma presença mais forte do Brasil, de Macau e de Timor-Leste.

Um dos objetivos do evento é, pois, levar a este encontro de escritores os que estão mais longe, nomeadamente devido à sua distância física e geográfica, que tem resultado numa "participação menos completa", disse Paula Leal da Silva.

"Estamos muito contentes com a presença do ministro [da Administração Estatal] de Timor-Leste", disse, lembrando que também a poesia brasileira terá um destaque nesta edição do encontro, contando com vários especialistas do Brasil que estarão na Praia a falarem sobre este assunto.

Mas não só, pois o encontro contará com um declamador de poesia brasileiro, que irá caminhar entre as pessoas com uma expressão verbal teatralizada.

O reforço da presença de Timor-Leste e do Brasil no encontro será congregada com a de Macau, que tem atualmente a presidência da Comissão Executiva da UCCLA.

Para Paula Leal da Silva, desta forma ficará cumprido um dos objetivos do encontro que é "dar alguma relevância a alguns dos países que participam neste encontro".

Os promotores do encontro pretendem que este ano o mesmo seja mais próximo da população.

"A ideia é que as pessoas que leem o possam acompanhar, o possam integrar, mas também as pessoas que não leem, porque nós pretendemos justamente trazer ao povo este encontro", disse.

Para estimular o interesse da população em geral, o evento contará com "elementos relevantes", como uma feira de gastronomia, uma feira do livro e, em paralelo, atos simbólicos, como a plantação de uma árvore.

Sobre o tema geral do encontro -- A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo de mudança -, a embaixadora observou que "a língua portuguesa, além da vitalidade que se conhece no seio do próprio mundo lusófono, conhece uma vitalidade muitíssimo relevante no estrangeiro", dando o exemplo de ser ensinada em mais de cinco universidades na China.

"Isto é um exemplo, muitos outros haverá. Porque justamente essa vitalidade enquanto segunda língua, enquanto língua aprendida por quem tem uma primeira língua materna que não é o português, também permite compreendermos como a nossa língua, no fundo, existe fora do mundo lusófono, progride e permite uma interação também na perspetiva de quem tem outra língua materna", disse.

Paula Leal da Silva enumerou depois os subtemas em que o geral se divide, como o português enquanto língua de ciência, tecnologia e inovação, porque "o valor da língua não é só o valor da cultura, da literatura e do conhecimento e do saber".

"É também um valor económico, é um valor que tem de se repercutir e deve repercutir-se nas relações económicas, transacionais, comerciais, mas também na inovação, no mundo da inovação constante em que estamos", defendeu.

Esta edição do encontro servirá também para debater as mais-valias que o Prémio de Revelação Literária UCCLA -- Câmara Municipal de Lisboa pode trazer para os jovens escritores.

O galardão tem como objetivo estimular a produção de obras literárias, nos domínios da prosa de ficção (romance, novela, conto e crónica) e da poesia, em língua portuguesa, por escritores que nunca tenham publicado, a título individual, uma obra literária.

A secretária-geral adjunta da UCLLA destaca, entre os premiados, a juventude e as diferentes geografias onde vivem, que se refletem na carga literária destes autores.

"Mas também uma carga política, uma carga pessoal, uma carga de opiniões concretas sobre o mundo, ideias novas que os outros participantes nesses encontros adquirem, sobre as quais refletem, e que justamente nos permitem ter um papel relevante num tal mundo em mudança", concluiu.

Entre os dias 08 e 10, está confirmada a presença de escritores de Angola (Alberto Oliveira Pinto), Brasil (Aline Cardoso, José Inácio Vieira de Melo e José Manuel Diogo), Cabo Verde (Adelcides Rodrigues, Augusta Évora, Carla Indira Semedo, César Monteiro, Dai Varela, Daniel Medina, Eutrópio Lima da Cruz, Fátima Fernandes, Gil Moreira, Mariana Faria, Marilene Pereira e Rui Pereira), da Croácia (Meri Grubic), Galiza (Maria Rosário Fernandez Bello), Guiné-Bissau (Amadu Dafé), Macau/China (Hugo Pinto), Moçambique (António Costa Neto), Portugal (Joana Matos Frias), São Tomé e Príncipe (Olinda Beja) e Timor-Leste (Benjamim Côrte-Real).

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