Entrada em vigor depende de vocabulário comum- Coordenador de Ciberdúvidas

Lisboa, 03 Fev (Lusa) - O coordenador do site Ciberdúvidas, José Mário Costa, defende que é necessário definir um vocabulário comum da língua portuguesa para que o novo Acordo Ortográfico (AO) possa entrar em vigor.

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"Há uma série de vocábulos que o AO não especifica. Isso vai ser resolvido com o Vocabulário Comum da Língua Portuguesa, que tem de ser elaborado por uma comissão mista, que integre os vários países de língua oficial portuguesa", declarou à Lusa o coordenador do site Ciberdúvidas, que desde há já 12 anos ajuda milhares de falantes de português a tirar dúvidas relacionadas com a língua através de uma página de Internet.

José Mário Costa acredita que os livros, jornais e dicionários produzidos já de acordo com o novo Acordo são um sinal de precipitação, uma vez que há ainda muito por definir quanto à grafia de diversas palavras.

"Não sabemos se a palavra manda-chuva tem hífen ou não, não sabemos se palavras que são escritas de uma forma no Brasil e de outra forma no português europeu vão ter uma grafia ou outra, ou se vão ter dupla grafia", exemplificou.

Para José Mário Costa, é preciso definir rapidamente os limites da língua para não se cair no vazio da arbitrariedade.

"A língua é como um rio: sem margens, desaparece. Quais são as margens? Por um lado, a criatividade dos falantes. A língua portuguesa é uma língua viva, que está permanentemente em mudança, mas depois tem de ter regras. Uma gramática, uma orientação específica. Não podemos escrever como nos apetece", argumentou.

O coordenador do Ciberdúvidas considera que o novo AO tem "algumas deficiências técnicas, contradições, discrepâncias" e que "não foi suficientemente radical", mas reitera que é melhor este do que nenhum Acordo Ortográfico, uma vez que - vincou - só com uma uniformização das normas a língua portuguesa pode aspirar a uma maior projecção internacional.

"Se não houvesse AO nós corríamos o seríssimo risco, não só da pulverização da língua portuguesa, como de aqui a trinta ou quarenta anos sermos, com todo o respeito, os galegos da língua portuguesa", disse a concluir.

IMA.

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