Entrudo das Aldeias do Xisto regressa a Góis e leva máscaras à Lousã

Góis, Coimbra, 15 fev (Lusa) -- O Entrudo das Aldeias do Xisto vai regressar no dia 26 a vários lugares do concelho de Góis, na Serra da Lousã, com um programa que inclui à tarde uma oficina de construção de máscaras em cortiça.

Lusa /

Orientada pelo artesão José Cerdeira, esta oficina será também realizada antecipadamente, no sábado, na Lousã, no Museu Etnográfico Louzã Henriques.

No dia 26, Domingo Gordo, com concentração de foliões marcada para as 08:30, na Aigra Nova, a 11.ª Corrida do Entrudo das Aldeias do Xisto de Góis começa meia hora depois.

Jorge Lucas, da Lousitânea -- Liga de Amigos da Serra da Lousã, que organiza a iniciativa, disse hoje à agência Lusa que mais de 40 foliões deverão integrar as tropelias do Entrudo serrano.

"No ano passado, tivemos quase 40 participantes na corrida", que percorre lugares do concelho de Góis, distrito de Coimbra, e nesta edição "já se inscreveram 41 pessoas", acrescentou.

Trata-se da 11.ª edição do evento carnavalesco, em que os participantes, chova ou faça sol, ostentam as tradicionais máscaras de cortiça e visitam algumas povoações até à hora de almoço, após chegada à Aigra Nova.

Ao longo do percurso, "são ditas quadras jocosas" sobre moradores de cada aldeia, após avaliação prévia da organização junto de informadores locais, que descrevem as situações pessoais e da comunidade suscetíveis de serem depois objeto de escárnio por parte dos foliões.

O programa começa na Aigra Nova, às 08:30, com a receção dos participantes, que saem às 09:00 em direção à aldeia da Pena, a que se seguem Cerdeira e Ponte Sótão, com retorno à Aigra previsto para as 13:00.

Por cinco euros, os visitantes poderão almoçar na aldeia, onde a Lousitânea assegura um "Menu de Entrudo".

Entretanto, numa parceria da Lousitânea com a Câmara Municipal da Lousã, pode ser visitada nesta vila, no Museu Louzã Henriques, até dia 21, uma exposição de máscaras de cortiça, no âmbito de um programa que integra, no sábado, às 15:00, a oficina de construção de máscaras, sob orientação e demonstração prática do artesão José Cerdeira.

"A Serra da Lousã tem um património comum e uma identidade em que diferentes municípios se reconhecem coletivamente como iguais", declarou à Lusa o vereador da Cultura da Câmara da Lousã, Carlos Seco.

A montanha, a que estão ligados concelhos dos distritos de Coimbra e Leiria, "tem de agir como uma região", defendeu Carlos Seco, fazendo votos para que as "gerações futuras" se revejam nesta "identidade abrangente dos povos da Serra da Lousã".

A exposição e a oficina contribuem, assim, para "a valorização desse património cultural" comum.

Este ateliê destina-se ao público em geral, encerrando hoje as inscrições gratuitas.

No dia 26, o Grupo Etnográfico da Região da Lousã integra mais uma vez o programa da corrida, no concelho de Góis, que visa recuperar antigas manifestações comunitárias do Entrudo.

Após o almoço, na Aigra Nova, onde a Lousitânea tem sede, realiza-se ainda um baile à moda antiga, a subida ao pau escorregadio, estando em disputa um presunto e um bacalhau, e a primeira edição do Desfile de Foliões, com a presença de 10 mascarados.

Será também apresentado um documentário da autoria de Tiago Cerveira, alusivo à temática do Entrudo.

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