Erro do comunismo "está nas ideias", defende Zita Seabra
A deputada do PSD e ex-dirigente comunista Zita Seabra defendeu que "o erro do comunismo" está nas suas ideias, durante o lançamento do livro "Foi Assim" que relata a sua adesão e expulsão do PCP.
"Há uma ideia-chave neste livro: o que está errado no comunismo não é a prática. A prática falhou em todos os países", defendeu Zita Seabra, salientando que foram "os erros nas ideias que fizeram aquela prática".
Sublinhando que este "não é um livro de história mas de memórias", Zita Seabra disse não ter ressentimentos para com o Partido Comunista.
"O PCP teve um lado heróico e um lado trágico (...) Quando somos livres não queremos perder o nosso passado, quer ele seja sombra ou sol", disse.
O ex-Presidente da República Mário Soares foi um dos oradores da apresentação deste livro e destacou o percurso de Zita Seabra, que hoje é deputada do PSD.
"É um percurso lógico e normal", considerou o antigo chefe de Estado e primeiro-ministro.
"Primeiro teve um grande fascínio pelo PCP - tinha 15 anos quando entrou para o partido - depois dúvidas, as dúvidas passaram a decepções e, finalmente, deu-se a ruptura", sintetizou Soares, dizendo não ter ficado surpreendido com a adesão de Zita Seabra ao PSD.
Mário Soares recordou a primeira vez que viu Zita Seabra, no Parlamento, e "o olhar de puro ódio" que a então dirigente comunista lhe dirigiu.
O antigo chefe de Estado disse ainda compreender "o fascínio" que ela terá sentido pelo então líder comunista Álvaro Cunhal.
"Compreendo o fascínio por Álvaro Cunhal, porque eu, quando era jovem, também o tive", confessou.
"Ele [Álvaro Cunhal] entrou no PCP como quem entra num convento ou numa religião, era um místico", acrescentou.
Outro dos oradores convidados, o comentador José Pacheco Pereira, salientou igualmente a "experiência forte" que era pertencer ao PCP na década de `60 (Zita Seabra torna-se militante em 1965).
"Não se entrava para o Partido Comunista sem se ter uma entrega com uma componente quase religiosa, para a vida. Não se era meio comunista", frisou.
Pacheco Pereira destacou ainda a "coragem" de Zita Seabra na saída do PCP, partido do qual foi expulsa em 1988.
"O PCP é extremamente violento com os seus dissidentes. O caso da Zita é o caso mais brutal", considerou.
Na apresentação do livro estiveram muitas caras conhecidas, sobretudo do espaço político do centro-direita: o líder do PSD, Marques Mendes, o ex-primeiro-ministro Santana Lopes, o presidente da bancada social-democrata Marques Guedes e os ex-ministros Bagão Félix, Amílcar Theias e Pedro Roseta.
O eurodeputado do PSD Vasco Graça Moura, os deputados do CDS-PP Diogo Feio e José Paulo de Carvalho foram outros dos políticos a marcar presença.
O livro "Foi Assim", publicado pela editora Aletheia, relata em 440 páginas a evolução política e pessoal de Zita Seabra, tendo como pano de fundo o processo que levou à derrocada do regime soviético.