Escritaria cruza memórias de Timor com a causa palestiniana em Penafiel

Escritaria cruza memórias de Timor com a causa palestiniana em Penafiel

A 19.ª edição do festival literário Escritaria, em Penafiel, homenageia o escritor timorense Luís Cardoso entre os dias 20 e 25 deste mês e inclui um tributo a Luís Represas, cruzando memórias de Timor com a causa palestiniana.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Num comunicado enviado hoje à Lusa, a organização do Escritaria -- Festival Literário de Penafiel assinala a homenagem a Luís Cardoso, anunciada em julho, destacando "uma das mais importantes vozes da literatura contemporânea de Timor-Leste", inserida num "programa multidisciplinar dedicado à vida e obra do escritor timorense, cruzando literatura, música, cinema e artes visuais, com destaque para temas como a memória, identidade, exílio, resistência e liberdade".

"Nascido em Kailako, em 1958, Luís Cardoso chegou a Portugal em 1975, após a invasão indonésia de Timor-Leste, tendo desenvolvido um percurso ligado à causa timorense e à representação do Conselho Nacional da Resistência Maubere em Portugal", refere a organização, que destaca as obras "Crónica de Uma Travessia", "Requiem para o Navegador Solitário", "Para Onde Vão os Gatos Quando Morrem?", "O Plantador de Abóboras" e "Hotel Timor".

Luís Cardoso recebeu ainda o "Prémio Oceanos em 2021 e, em 2023, foi distinguido com o Colar da Ordem de Timor-Leste".

O programa do festival literário vai também incluir "um tributo a Luís Represas", músico falecido em julho, que contará com Manuel Faria, João Gil, Mona Miari e recuperará "Timor", canção dos Trovante escrita por João Gil e João Monge e interpretada por Luís Represas, "que se tornou uma referência da solidariedade portuguesa com o povo timorense".

A programação musical contará também com Dulce Pontes e Sérgio Godinho, que encerrará o festival acompanhado pelo pianista Filipe Raposo.

Decorrendo sobretudo no centro cultural Ponto C - Cultura e Criatividade, mas também em escolas, espaços públicos e outros equipamentos culturais de Penafiel (distrito do Porto) a homenagem a Luís Cardoso "cruza-se também com Mona Miari e Shahd Wadi, duas figuras palestinianas com trabalho artístico e académico ligado à cultura e à causa palestiniana".

"Mona Miari, cantora e compositora, colaborou recentemente com Roger Waters numa nova versão de Comfortably Numb, com partes em árabe e inglês e uma mensagem de solidariedade com o povo palestiniano", e "Shahd Wadi, escritora e investigadora palestiniana radicada em Portugal, tem desenvolvido trabalho sobre exílio, identidade e resistência através da literatura e da arte", refere.

A programação levará o homenageado às escolas do concelho e "inclui a inauguração, na manhã de 23 de outubro, da silhueta de Luís Cardoso, uma das marcas deixadas pelo Escritaria na cidade de Penafiel", incluindo ainda a exibição do filme O Voo do Crocodilo, de Fernando Vendrell, espetáculos de companhias como Teatro do Vestido, Circolando e Teatro Griot, exposições de pintura e fotografia sobre Timor e atividades dirigidas às escolas e a famílias.

Já no dia 24 será inaugurada, na Biblioteca Municipal de Penafiel, a exposição "Takas: a literatura extraordinária de um viajante timorense", contemplando ainda visitas inspiradas na lenda de Timor, instalações e outras iniciativas dedicadas à cultura e à história timorenses.

"No encerramento, a presença do Grupo de Estudantes Timorenses no Porto e uma iniciativa dedicada à gastronomia timorense reforçam o encontro entre culturas que marca esta edição", segundo a organização.

Desde 2008 que o Escritaria homenageia anualmente um escritor de língua portuguesa vivo. Em 2025, a homenageada foi Maria do Rosário Pedreira.

O festival já homenageou Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge, Mário Cláudio, Alice Vieira, Miguel Sousa Tavares, Pepetela, Manuel Alegre, Mário Zambujal, Ana Luísa Amaral, Miguel Esteves Cardoso e Arnaldo Antunes.

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